Sistema de comportas evitou cheias em Aveiro mas precisa de investimento

| Norte
Porto Canal com Lusa

Aveiro, 11 jan (Lusa) -- A cidade de Aveiro foi confrontada no domingo com o risco de cheia, evitada com a abertura das comportas dos canais, mas o sistema precisa de revisão urgente, com um custo superior a meio milhão de euros, segundo o município.

"Ontem foi muito difícil de gerir o caudal dos canais urbanos da ria, face à pluviosidade, e pelas seis da tarde estivemos no limite, mas correu tudo bem", descreveu à Lusa o presidente da Câmara, Ribau Esteves.

O autarca reconhece, contudo, a urgência em ser feita uma intervenção profunda para manter o sistema de comportas, para o que elaborou internamente um projeto, mas a estimativa de custos aponta para um valor a rondar os 600 mil euros.

"Este projeto tem componentes tão importantes como instalação de uma redundância mecânica na eclusa principal e a substituição completa da eclusa do Canal do Paraíso, junto ao antigo pavilhão do Beira-Mar, que está muito danificada, assim como outras intervenções de menor dimensão, mas que são importantes para a garantia do bom funcionamento permanente do sistema", explicou.

As eclusas são obras de alvenaria que formam uma câmara destinada a tornar navegável um curso de água e são construídas em trechos em que há desníveis de água, servindo para fazer passar os barcos.

Atualmente o sistema de eclusas apenas pode ser gerido através de uma plataforma eletrónica e a Câmara de Aveiro considera prioritário ter a possibilidade alternativa de abertura mecânica das comportas, para o caso de uma avaria no sistema informático.

Essa situação foi já vivida há dois anos, em que houve necessidade de forçar a abertura da eclusa do canal de S. Roque para evitar as cheias, sendo a situação normalizada depois de a autarquia pagar a dívida à empresa que presta assistência à plataforma eletrónica.

Dado o investimento necessário para fazer a intervenção necessária e os constrangimentos financeiros da autarquia, Ribau Esteves pretende obter a comparticipação da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

"Estamos a trabalhar com a APA, para verificarmos quais das componentes desse projeto poderão ser alvo de financiamento, através do Fundo de Proteção de Recursos Hídricos", revelou, admitindo ainda que algumas das intervenções tenham de ser financiadas através do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano da Cidade de Aveiro (PEDUCA).

MSO // ROC

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