Drogaria histórica de Ílhavo guarda memórias do tempo em que foi teatro

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Porto Canal / Agências
Ílhavo, Aveiro, 09 jun (Lusa) - Quem passa junto ao n.º 2 da rua de João de Deus, no centro histórico de Ílhavo, não imagina o que se esconde atrás das velhas paredes daquele edifício que atualmente alberga a drogaria "Vizinhos".

O imóvel, construído inicialmente para servir de habitação, chegou a ser ocupado por um teatro, entre o século XIX e o XX, do qual ainda restam imensas memórias que agora convivem lado a lado com materiais de construção e outros produtos à venda na drogaria.

Nos últimos anos, o estabelecimento tem até funcionado como um dos palcos dos concertos do Festival Rádio Faneca, um evento promovido pela Câmara de Ílhavo, que tem apostado em locais inusitados para a realização dos espetáculos.

Armando Samagaia, que comprou a drogaria há cerca de 20 anos, quando regressou da Venezuela, diz que se sente quase como um guia de um museu, tantas são as pessoas que lhe pedem para visitar o espaço.

"Muitas visitas vêm aqui durante o ano. E então, nesta altura da Rádio Faneca, tem sido muita gente que tem vindo cá. Estou aberto para que as pessoas entrem e vejam. Inclusivamente deixo entrar ali para os balcões e tirar fotografias. Há quem faça vídeos até. Já estou habituado a essas coisas", diz o lojista.

Uma dessas visitas foi o ator e encenador Guilherme Filipe que há alguns anos passou por Ílhavo, durante a estreia de uma peça de teatro, em que contracenava com Teresa Guilherme.

Armando Samagaia conta que o investigador do Centro de Estudos de Teatro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ficou "maravilhado" com o que viu e "lamentou que as entidades oficiais não se interessem pelo espaço".

Quem entra na drogaria, percebe que o edifício pouco ou nada mudou nos últimos anos.

O palco já desapareceu e o lugar da plateia está agora ocupado por três filas de estantes metálicas, mas a antiga estrutura da casa de espetáculos resiste, incluindo os balcões e as pinturas em madeira.

Armando Samagaia gostava que o edifício fosse recuperado e que lhe fosse dada uma utilização mais condigna, mas reconhece que não tem capacidades para avançar com as obras.

"Gostaria muito que isto fosse recuperado e utilizado com outras funções. Estou aberto em qualquer momento a ceder o espaço", diz o lojista, que até à data não foi contactado pela Câmara.

JYDN // MSP

Lusa/Fim

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