"Deixemos a justiça funcionar em todos os seus valores, isto é, assegurar a presunção de inocência" de Sócrates

"Deixemos a justiça funcionar em todos os seus valores, isto é, assegurar a presunção de inocência" de Sócrates
| País
Porto Canal

O secretário-geral do PS, António Costa, considerou hoje que a justiça deve "funcionar em todos os seus valores", após uma visita "pessoal" ao ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates, em prisão preventiva na cadeia de Évora.

O atual líder socialista falava aos jornalistas depois de visitar, pela primeira vez e durante pouco mais de uma hora, o ex-chefe de Governo, no Estabelecimento Prisional de Évora, onde se encontrou com o antigo Presidente da República Mário Soares.

“O que é importante para todos e para a sociedade democrática é que deixemos a justiça funcionar em todos os seus valores", o que significa "assegurar a presunção de inocência", disse.

Para António Costa, é também preciso "assegurar que a acusação tenha os meios necessários para fazer a investigação, que a defesa disponha dos meios e de igualdade de meios no exercício da defesa, que o segredo de justiça seja preservado e que não haja condenações, nem julgamentos na praça pública, que as pessoas se possam defender".

"É isso que deve ser normal num Estado democrático", defendeu, assegurando que todos, e que ele fará a sua parte, se devem bater por "um sistema de justiça que funcione com normalidade".

O líder socialista entrou, cerca das 10:30, no Estabelecimento Prisional de Évora, e saiu às 11:40.

Questionado pelos jornalistas, disse ter-se tratado de “uma visita emocionante”, tendo encontrado José Sócrates “com um espírito lutador”.

“Eu acho que a personalidade dele é conhecida de todos. Ele é um lutador e está, certamente, em luta por aquilo que acredita ser a sua verdade”, argumentou.

Confrontado sobre qual o impacto deste assunto para o PS, o secretário-geral socialista, insistindo que a sua visita ao ex-primeiro-ministro foi pessoal, fez questão de traçar as diferenças.

“O PS já deixou muito claro que uma coisa são os sentimentos, que naturalmente todos sentimos relativamente a alguém que foi líder do PS e primeiro-ministro, mas outra coisa é a necessidade que o país tem de o PS preservar e concentrar-se naquilo que é a sua função, que é construir a alternativa” governativa, frisou.

José Sócrates está preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora por suspeita de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada, num caso relacionado com alegada ocultação ilícita de património e transações financeiras no valor de vários milhões de euros.

A 21 de novembro, o antigo líder do PS e ex-primeiro-ministro foi detido e, após interrogatório judicial, ficou em prisão preventiva, por o juiz considerar existir perigo de fuga e de perturbação da recolha e da conservação da prova.

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