Novo terminal do porto de Leixões é "insustentável a médio e longo prazo", defende operador
Porto Canal/Agências
A Yilport, concessionária do terminal de contentores do porto de Leixões, considera a proposta para o novo terminal Norte, que teve parecer favorável condicionado da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) na semana passada, "insustentável a médio e longo prazo".
"A YILPORT conclui que o modelo operacional do terminal é insustentável a médio e longo prazo, sendo previsível que se torne obsoleto antes mesmo de recuperar o investimento, por não estar alinhado com as tendências de automação, digitalização e evolução da frota mundial", pode ler-se no Relatório da Consulta Pública do novo Terminal de Contentores Norte do porto de Leixões (Matosinhos, distrito do Porto).
De acordo com o documento, redigido pela APA, o grupo Yilport "considera que o projeto do Novo Terminal Norte apresenta erros estruturais de conceção, sobretudo ao nível do layout triangular proposto, considerado ineficiente e contrário às práticas recomendadas em terminais 'greenfield', que normalmente adotam geometrias retangulares pela sua maior funcionalidade, automatização e expansibilidade".
Segundo o documento, a Yilport apresentou, no seu parecer (não disponibilizado nos documentos tornados públicos), "diversos exemplos internacionais que demonstram a adoção inequívoca de layouts lineares em novos terminais, reforçando a crítica técnica ao desenho proposto".
"Outra crítica fundamental refere-se à inadequação do dimensionamento do terminal face à evolução da frota mundial de porta-contentores", já que "o projeto foi definido para navios até 300 metros e cerca de 5.000 TEU [unidade de medida padrão dos contentores] quando a tendência global mostra um rápido crescimento das dimensões dos navios, com classes superiores a 20.000 TEU já em operação e encomendas regulares de navios acima de 10.000 e 12.500 TEU".
De acordo com o relatório da Consulta Pública, "a Yilport sustenta que o navio de projeto está desatualizado antes mesmo da eventual entrada em operação do terminal, comprometendo a competitividade futura do Porto de Leixões e impedindo a captação de serviços transatlânticos relevantes para o seu 'hinterland'".
A empresa destaca também "restrições de manobrabilidade marítima decorrentes da bacia de rotação interior, que limita estruturalmente o porte dos navios que o terminal pode receber", e defende que "um investimento estruturante e duradouro deveria ser feito fora dos limites atuais do porto, permitindo acolher navios de grande dimensão sem constrangimentos operacionais".
Além disso, o operador "identifica insuficiências graves nas infraestruturas ferroviárias e rodoviárias", sem "um ramal ferroviário funcional para comboios de 750 metros e que, por isso, todo o transporte de e para o terminal dependeria de camiões, duplicando ou triplicando o tráfego pesado atual e provocando congestionamento insuportável na via interna e na malha urbana envolvente".
A Yilport lembra ainda que "existem alternativas já estudadas e com benefícios superiores: otimizações do cenário atual, o Novo Terminal Sul (com DIA [Declaração de Impacte Ambiental] favorável) e a possibilidade estratégica de um novo terminal a Oeste, fora do encaixe portuário existente".
Para a Yilport, "na análise custo-benefício apresentada, o projeto do Novo Terminal Norte surge como a pior opção, por combinar alto investimento, grande complexidade e impactes significativos, sem gerar ganhos proporcionais em capacidade efetiva, atratividade comercial ou sustentabilidade futura".
"As alternativas existentes apresentam melhor equilíbrio entre custos, riscos, capacidade, impacto e adequação estratégica ao futuro do transporte marítimo e das cadeias logísticas", aponta a Yilport, segundo o Relatório da Consulta Pública da APA.
