Ato de vandalismo contra Savannah atinge propriedade privada em Boticas
Porto Canal/Agências
O proprietário de uma casa em Covas do Barroso apresentou queixa na GNR depois de atos de vandalismo direcionados à Savannah, empresa que está a arrendar aquele edifício para trabalhadores e quer explorar lítio em Boticas.
Fonte da GNR de Vila Real confirmou esta segunda-feira à agência Lusa a apresentação da queixa no posto de Boticas, no norte do distrito transmontano, por parte do proprietário do edifício, referindo que foram pintados uma parede e um portão, o que é considerado um ato de vandalismo.
Já foram várias as queixas apresentadas por vandalismo contra a empresa que quer explorar a mina de lítio em Covas do Barroso, projeto que obteve uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.
Também esta segunda-feira, a Savannah expressou de “forma pública e inequívoca” a sua solidariedade com o proprietário da Casa do Grilo, que foi alvo de um ato de vandalismo na madrugada de sábado, esclarecendo que o edifício não é propriedade da empresa, mas é utilizado para descanso dos trabalhadores e colaboradores, no âmbito de uma política social que “visa promover a vida nas comunidades locais, dinamizar a economia da região e contribuir para a reabilitação do edificado tradicional”.
O ato de vandalismo aconteceu durante o fim de semana e foi comunicado aos órgãos de comunicação, através de um e-mail, acompanhado de um vídeo em que surgem três pessoas de cara tapada e em que um deles afirma que “este é um ato político reivindicado”, apresentando-se como um “grupo anticapitalista, solidário com a luta de Covas do Barroso”.
Contactada pela Lusa, a Savannah concretizou que o edifício, que é conhecido como Casa do Grilo, foi recuperado em 2025.
“Infelizmente, os danos causados ao património da aldeia representam um custo significativo de recuperação e reabilitação para o proprietário, que já apresentou queixa no posto da GNR de Boticas. A Savannah irá naturalmente prestar todo o apoio necessário”, salientou ainda a empresa.
Foi nesta casa que decorreu, há cerca de um mês, uma das cinco sessões públicas dirigidas à comunidade e que foram realizadas pela empresa.
“Covas do Barroso foi mais uma vez alvo de um ataque por um grupo radical anticapitalista, que em nada representa a comunidade local. Este foi um ato de vandalismo alienado da realidade e sem qualquer contexto reivindicativo uma vez que foi exclusivamente direcionado ao património de Covas do Barroso”, salientou a empresa.
Acrescentou que “esta violência é consequência direta de um clima de pressão contínua sobre a comunidade, alimentado por aqueles poucos que sistematicamente rejeitaram o diálogo com a empresa” e que "estes movimentos optam por métodos de intimidação que em nada beneficiam as gentes locais".
No e-mail enviado à comunicação social, pode ler-se que o grupo “vandalizou as paredes com tinta, partiu o portão da entrada do edifício e danificou o sistema de segurança”.
No vídeo, os alegados autores do ato afirmam: - “Não defendemos a violência por si só, mas achamos o seu uso legítimo quando as populações locais são agredidas, quando as instituições não servem os interesses públicos e quando a natureza é tratada como mercadoria”.
“Esta mina não avança, nem tudo se vende, nem tudo se compra e o povo ainda é quem mais ordena”, acrescentam.
