PCP questiona Governo sobre “mais um despedimento coletivo” na CaetanoBus em Gaia

PCP questiona Governo sobre “mais um despedimento coletivo” na CaetanoBus em Gaia
Foto: Caetano Bus
| Norte
Porto Canal/Agências

O PCP questionou esta sexta-feira o Governo sobre “mais um despedimento coletivo” na empresa CaetanoBus, do Grupo Salvador Caetano, em Vila Nova de Gaia, que, a concretizar-se, deixará no desemprego 88 trabalhadores.

Em perguntas dirigidas ao Ministério do Trabalho e ao da Economia, o deputado do PCP, Alfredo Maia, que referiu que o Grupo Salvador Caetano “prepara mais um despedimento coletivo enquanto acumula lucros e financiamento público”, perguntou que informações tem o Governo PSD/CDS-PP sobre esta situação e que medidas vai tomar para garantir a manutenção dos postos de trabalho.

“De que forma pretende o Governo impedir a deslocalização desta linha de produção para o estrangeiro, protegendo trabalhadores altamente qualificados essenciais ao desenvolvimento do setor e do país”, interrogou.

Alfredo Maia pretende ainda saber que apoios públicos, nacionais e comunitários, foram atribuídos a empresas do Grupo Salvador Caetano nos últimos anos.

O deputado parlamentar assinalou que, a confirmar-se o despedimento de 88 trabalhadores, será o segundo processo em pouco mais de um ano, afetando um total de 133 trabalhadores.

Só no negócio de retalho automóvel, o Grupo Salvador Caetano fechou o último ano com um volume de negócios agregado de aproximadamente cinco mil milhões de euros, gerando uma faturação na ordem dos 1.500 milhões de euros, apontou.

Ao mesmo tempo, continua a beneficiar de apoios públicos, ressalvou.

“Trata-se de benefícios, uma vez mais, à custa dos contribuintes, com financiamento público e recurso à Segurança Social, requerendo sistemática e abusivamente o ‘lay-off’ usado pela CaetanoBus como antecâmara para o desemprego, sem a mínima preocupação em alocar os trabalhadores visados a outras funções na empresa, protegendo os postos de trabalho”, considerou.

O deputado salientou que, longe de estar em crise, este continua a ser um setor altamente rendível onde os lucros das empresas atingiram valores recorde nos últimos anos.

Só em 2024 foram produzidos em Portugal 332.546 veículos (um aumento de 4,5% face ao ano anterior) e colocados em circulação 249.269 veículos (mais 5,6% do que no ano anterior), especificou.

“A atuação daquela empresa do Grupo Salvador Caetano enquadra-se na linha patronal de tentativa de contenção salarial, aumento da exploração laboral e chantagem com recurso a ameaças de despedimentos e deslocalizações”, entendeu Alfredo Maia.

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