PCP adverte em Vila Pouca de Aguiar que populações têm que ser ouvidas sobre minas
Porto Canal/Agências
O PCP advertiu que os interesses das populações têm de ser acautelados nas explorações mineiras, como a proposta para exploração de feldspato em Adagoi, Vila Pouca de Aguiar, alertando ainda para os problemas na saúde neste concelho.
“Vamos auscultar as populações porque as explorações são importantes para a economia local, mas devem acautelar os interesses das populações, elas têm que estar de acordo, não fazemos tudo a qualquer custo”, afirmou Fátima Bento, da Direção da Organização Regional de Vila Real do Partido Comunista Português (PCP).
A responsável falava numa conferência de imprensa que, para além da exploração mineira, abordou ainda a saúde e o corte nas ajudas, em áreas de baldios, aos produtores de equídeos que não pertençam a raças autóctones.
Fátima Bento falou numa “proliferação de explorações mineiras” e advertiu que os projetos “devem acautelar os interesses das populações” e os “valores ambientais e florestais”.
A Mota Ceramic Solutions (MCS) quer avançar com o projeto Adagoi, que prevê a exploração de feldspato em Vila Pouca de Aguiar, com vista ao reforço do fornecimento de matérias-primas em particular para a indústria cerâmica nacional.
A MCS assinou um contrato de exploração de feldspato, quartzo e lítio com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) em dezembro de 2024 e prepara-se para avançar com o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da concessão que abrange as freguesias de Bragado e Capeludos.
Um abaixo-assinado recolheu ‘online’, até às 12:00 desta quarta-feira, 594 assinaturas que pedem à tutela do Ambiente para que não avance com esta exploração mineira.
“O PCP defende que não se pode fazer tudo a qualquer custo. É importante que haja promoção da atividade económica, mas tem que ter um impacto positivo na região, tem que criar emprego e tem que acautelar os valores e ambientais e a floresta. Tudo isso conta nesta avaliação”, salientou Fátima Bento.
A dirigente adiantou que o PCP está fazer uma avaliação da extensão das explorações desativadas e do cumprimento das medidas de reparação ambiental, quer em Vila Pouca de Aguiar, quer a nível nacional.
“Queremos verificar ao detalhe toda essa informação para depois questionar o Governo que é a quem compete exigir a reabilitação dessas áreas que já não estão em exploração”, realçou.
Em dia de feira, os comunistas aproveitaram para recolher assinaturas para um abaixo-assinado sobre o estado do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Vila Pouca de Aguiar.
“São por demais os problemas e tardam as soluções. Pretendemos envolver a população naquilo que também é a sua luta”, afirmou Fátima Bento, elencando a escassez de médico de família, a redução de horários e serviços, longos tempos de espera para consultas e exames, dificuldades no acesso a cuidados continuados e apoiou domiciliário e deslocações forçadas.
Deslocações que, segundo apontou, são agravadas por transportes públicos insuficientes e um preço não adequado ao baixo rendimento dos trabalhadores e pensionistas.
A recolha de assinaturas prolongar-se-á até abril e a petição será remetida à Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULS), com sede em Vila Real.
Sobre a questão dos apoios aos produtores de equídeos, que ficaram “totalmente excluídos das ajudas em áreas baldias”, Fátima Bento disse que é mais “uma machada” na pequena e média agricultura e que o Governo “está a condenar à asfixia económica inúmeros produtores que dependem desses apoios para garantir a sobrevivência das duas explorações”.
Destes apoios ficam excluídos equídeos, como cavalos ou burros, que não pertençam às raças autóctones burro de Miranda e Garrana.
“O burro já é uma espécie, não precisa deter uma designação própria para se identificar o seu valor social e o papel que representa no apoio agrícola, mas também no apoio à própria vida do agricultor. É uma companhia e um estimulo ao seu dia a dia”, defendeu Fátima Bento.
