Reitor da Universidade do Porto considera ser o momento de repensar a Europa

Reitor da Universidade do Porto considera ser o momento de repensar a Europa
Foto: Porto Canal
| Porto
Porto Canal/Agências

O reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, que cumpre o segundo e último mandato, disse esta terça-feira que a guerra no Médio Oriente é “uma oportunidade” para repensar a Europa e a recolocar num caminho de progresso.

“Temos de ver a guerra [Médio Oriente] não como uma ameaça, mas como uma oportunidade para repensar a Europa”, afirmou o reitor.

Em declarações à Lusa a propósito do Dia da Universidade do Porto, que se assinala na próxima segunda-feira e contará com a presença do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que vai falar sobre “O futuro da Europa”, António Sousa Pereira referiu que mais do que uma oportunidade de repensar a Europa é uma necessidade.

“Nós, neste momento, ou repensamos e tomamos medidas que nos permitem ser competitivos e acompanhar o progresso que está a ocorrer a uma velocidade estonteante ou corremos o risco de ficar para trás”, alertou.

Em sua opinião, a Europa tem de recuperar o “tempo perdido” e isso implica tomar decisões relativamente ao seu futuro.

É preciso pensar o futuro de uma forma “mais concentrada naquilo que são os desejos dos povos” porque só dessa maneira é que a Europa vai conseguir seguir em frente, ser competitiva e não ser ultrapassada pelo bloco oriental que está a ter um desenvolvimento acelerado e distante, ressalvou.

O reitor da Universidade do Porto considerou que a Europa já vinha sendo vítima de “alguma falta de visão estratégica” relativamente a tudo o que eram os desenvolvimentos associados à inteligência artificial ou à computação quântica.

A título de exemplo, António Sousa Pereira contou que só há uma fábrica no mundo capaz de produzir as máquinas que fazem os 'chips´ de última geração, que fica nos Países Baixos, mas, depois, não há nenhuma fábrica na Europa a fazer esses 'chips´.

“Portanto, nós temos a tecnologia, temos tudo para poder estar na linha da frente. Mas, por alguma insuficiência de definição estratégica, não o temos conseguido fazer”, sublinhou.

Segundo o reitor, a atual crise internacional provavelmente irá dar um impulso para que haja o assumir de algumas coisas que não têm sido assumidas até agora.

“A Europa está muito refém da procura de consensos, que tem muito de artificial”, opinou.

A Europa vai ter que se assumir como sendo constituída por diversas nações e países com interesses muito diversos, frisou.

E estes interesses muito diversos vão fazer com que cada um tenha objetivos e expectativas muito diferentes em relação àquilo que esperam da Europa, acrescentou.

“Aquilo que se tem falado da Europa a várias velocidades acho que vai ser inevitável e acho que vai ser inevitável que haja uma Europa de mercado único, que haja uma Europa de moeda única e que haja uma Europa de defesa comum”, salientou.

A cerimónia comemorativa do 115.º aniversário da Universidade do Porto será, para além das intervenções do reitor e do presidente do Conselho Europeu, marcada pela entrega dos prémios e homenagens a estudantes, professores, investigadores e docentes jubilados.

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