IP vai tentar antecipar prazos da obra do IC35 entre Rans e Entre-os-Rios em Penafiel
Porto Canal/Agências
A Infraestruturas de Portugal (IP) vai tentar antecipar os prazos do arranque da obra do IC35 entre Rans e Entre-os-Rios, em Penafiel, cuja consignação está prevista para dezembro, disse esta quarta-feira o presidente da empresa.
"Cuidadosamente, aquilo que nós estamos aqui a dar, como data prevista de consignação, é dezembro de 2026. Nós esperamos, e estamos a dizer isto de uma forma muito transparente, conseguir antecipar este prazo, mas temos que ter em atenção que nós vamos lançar um concurso com uma particular complexidade", disse esta quarta-feira o presidente da IP, Miguel Cruz, na cerimónia de lançamento do concurso e apresentação da segunda fase do Itinerário Complementar 35 (IC35), que decorreu nas instalações da IP no Porto.
A IP lançou esta quarta-feira, exatamente 25 anos depois da queda da ponte Hintze Ribeiro, o concurso público da empreitada do IC35 entre Rans e Entre-os-Rios, em Penafiel, ligando este concelho a Castelo de Paiva, uma empreitada com um custo estimado de até 89,5 milhões de euros.
Na cerimónia, Miguel Cruz ressalvou que "pode haver pedidos de prorrogação de prazo, perguntas" dos concorrentes, sendo também necessário que o projeto, "pela sua dimensão, pela sua natureza", passe pelo crivo do Tribunal de Contas (TdC).
"Todos estes exercícios vão ter que ser feitos. Esperamos antecipar o prazo, mas a opção que tomámos aqui é, se várias coisas correrem mal em termos de gestão de prazo, o horizonte temporal é este: 720 dias, data de consignação no máximo dezembro de 2026, data de conclusão prevista no máximo dezembro de 2028", apontou.
O compromisso da IP é "garantir que o projeto é feito com qualidade, com segurança e tentando antecipar o máximo possível este prazo que aqui está comunicado, mas sempre com esta lógica dos 720 dias".
Também presente na ocasião, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, falou numa "questão de justiça" feita com o lançamento da obra.
"Justiça no tempo, mas justiça territorial. Dar a estes territórios esquecidos oportunidade de poder implementar as suas estratégias de desenvolvimento", disse Miguel Pinto Luz, advertindo que "essa justiça tem que vir com responsabilidade" de "gerir aquilo que os portugueses e as portuguesas utilizam no seu quotidiano e para se sentirem também seguros nessa utilização diária".
No final, o ministro não prestou declarações aos jornalistas.
Quanto às características de engenharia da obra, a rodovia terá "seis tramos de vias de lentos nos trainéis de maior inclinação", várias rotundas e várias obras de arte como o viaduto do Vale de Rans, 876 metros, com uma altura de 55 metros, ponte da Ribeira de Gomarães, com 556 metros e altura de 40 metros ou a ponte da Ribeira das Lages, 296 metros e altura de 29 metros.
A empreitada inclui também o viaduto de Oleiros de Baixo, com 318 metros e altura máxima 20 metros, a ponte da Ribeira de Matos I, com 255 metros e altura máxima 24 metros, a ponte Ribeira das Ardias, com 250 metros e altura máxima de 19 metros e a ponte da Ribeira de Matos II, com 184 metros e 15 metros de altura máxima.
Os potenciais interessados na execução da empreitada têm até dia 16 de abril para apresentar uma proposta, e na avaliação de candidaturas o preço tem um fator de ponderação de 80% e a qualidade 20%.
Dos 12 quilómetros previstos desta via de interesse regional que foi considerada prioritária em 2001, após a queda da ponte Hintze Ribeiro, apenas foi construído um quilómetro, entre Penafiel e Rans, faltando fazer o troço que irá lugar Rans a Entre-os-Rios, concurso lançado esta quarta-feira.
O IC35, que liga a autoestrada A4 a Entre-os-Rios sobre o rio Douro, constitui uma alternativa à EN106, que continua a ser a via principal de acesso entre aqueles dois concelhos.
Segundo a autarquia, esta é uma das estradas do país com índices de sinistralidade mais graves, registando nos últimos 20 anos, 639 acidentes, com 14 mortos, 45 feridos graves e 687 feridos ligeiros.
