Nova central de biorresíduos da Lipor custa 70 milhões de euros e tratará 75 mil toneladas/ano

Nova central de biorresíduos da Lipor custa 70 milhões de euros e tratará 75 mil toneladas/ano
Foto: Lipor
| Norte
Porto Canal/Agências

A proposta Central de Valorização de Biorresíduos da Lipor representa um investimento a rondar os 70 milhões euros, para uma obra que vai levar perto de três anos a ficar concluída e permitirá tratar até 75 mil toneladas por ano.

O Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projeto esteve disponível para consulta pública até terça-feira e considera que a infraestrutura, em Gondomar, pode aumentar a capacidade da Lipor, que serve oito municípios do Grande Porto, para tratar biorresíduos, com até 65 mil resíduos alimentares, provenientes das casas das pessoas e do setor da hotelaria e restauração, e até 10 mil toneladas de resíduos verdes.

A solução tecnológica proposta é a digestão anaeróbia por via húmida, complementada pela compostagem, e permitirá produzir biometano, que será injetado na rede de gás natural a partir da nova central, instalada junto a outra já existente no complexo central da Lipor em Baguim do Monte, Gondomar.

À Lusa, a diretora de operações e logística da Lipor, Isabel Nogueira, explica que o projeto já está a ser estudado pela associação intermunicipal "desde o final de 2019", e "com a entrada obrigatória, por lei, da recolha seletiva dos resíduos alimentares e resíduos verdes" a partir de 2023, era preciso aquela instituição "dar possibilidade a esse crescimento e aumentar a capacidade de tratamento".

Dominando já a compostagem, refere Isabel Nogueira, o objetivo seria incorporar novas tecnologias e avançar para um projeto que, "se tudo correr bem", terá declaração de impacte ambiental até ao final do primeiro semestre deste ano, seguindo-se depois trâmites legais até se lançar o concurso e ter garantias de financiamento.

O objetivo é iniciar a construção "em 2027" e, no final de 2029, estarem "em condições para fazer testes e ensaios", arrancando em pleno no ano seguinte.

"A última avaliação que nós temos de investimento ronda a carga dos 70 milhões de euros. No entanto, isto é um projeto que, em termos de construção, ainda tem algum edificado e esta é uma área em que os preços têm sido sempre em crescendo", estima a responsável.

A nova infraestrutura responde, sobretudo, ao Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos (PERSU2030), mas também ao Plano de Ação Nacional para a Economia Circular, o Roteiro para a Neutrlaidade Carbónica2050 e a Estratégia Nacional para os Biorresíduos.

O estudo de impacte ambiental, de resto, conclui apontando a Central de Valorização de Biorresíduos como contribuindo "de forma relevante para a sustentabilidade da gestão de resíduos na região Norte", estando "alinhado com os objetivos nacionais e europeus" nesta área.

Na central que vai estar instalada ao lado, sem alterações de maior para quem transportar os resíduos até à Lipor, serão criados 33 novos postos de trabalho, estima o EIA, num projeto que envolve ainda a expropriação de terrenos a privados, pela Câmara de Gondomar.

Com a autarquia, a associação intermunicipal, que pode em breve passar a ser uma empresa intermunicipal por decisão dos seus constituintes, assinou um protocolo para reabilitar a Rua da Morena, com construção de nova rotunda.

Em torno desta infraestrutura, será ainda reabilitado o ribeiro do Caneiro, que será desentubado e 'devolvido' ao espaço público, e instalado um 'pipeline' de 850 metros, entre o novo centro e o po nto de ligação à rede, para transportar o biometano produzido.

"Toda a extensão do ribeiro [passa] a estar a céu aberto e com as margens ocupadas por vegetação ripícola, valorizando assim a componente biofísica do ribeiro e a contenção da totalidade do escoamento (prevenindo inundações)", pode ler-se no resumo não técnico.

A ideia do projeto, de resto, assenta na valorização da circularidade do tratamento de resíduos, da minimização de desperdícios e no aproveitamento para criação de vários subprodutos, acrescenta Isabel Nogueira.

"Tivemos sempre a premissa, desde que começámos a pensar nesta infraestrutura, que ela fosse completamente circular. Ou seja, tudo o que vai entrar para tratamento, depois no resultado, não ser outra vez colocado no mercado. O digerido sólido, que será desidratado e compostado, (...) terá a mesma qualidade do composto que nós já produzimos, que será vendido para agricultura, para enriquecimento dos solos. Não vai haver aqui nenhum subproduto que não tenha utilidade", explica.

Assim, serão tratadas as águas a partir do excedente em efluentes de processo, para ser utilizado na compostagem ou nos espaços verdes, como o gás que será gerado, que vai "contribuir muito para a descarbonização e apelar a que os cidadãos participem mais neste esforço", que trará "economia e melhoria ambiental".

"Está prevista a construção de uma ETAR. A água tratada será reutilizada prioritariamente na central de valorização, e o volume excedente" na que hoje já existe, pode ler-se no resumo não técnico do estudo de impacte ambiental.

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