Fase experimental do metrobus do Porto dura um mês com frequências de 10 minutos
Porto Canal/Agências
A fase experimental do metrobus do Porto, que arranca no sábado, durará um mês, funcionará entre as 06h00 e as 22h00 e terá frequências de 10 minutos em hora de ponta, revelou esta terça-feira a Metro.
"Vamos ter cinco veículos a fazer a volta da primeira linha e com frequências de cerca de 10 minutos, em hora de ponta, e um quarto de hora, fora de hora de ponta. Vamos tentar afinar a frequência e o nível de serviço, em função da procura durante a operação", disse esta terça-feira o diretor de exploração da Metro do Porto, João Nuno Aleluia, aos jornalistas.
O responsável falava após uma viagem de teste que durou 13 minutos entre a Praça do Império e a Casa da Música, pelas 11h00, em que o veículo demorou cerca de três minutos a dar a volta à rotunda da Boavista, sem trânsito.
"A volta à rotunda será uma questão nas horas em que estiver com a capacidade de circulação condicionada. A experiência vai-nos indicar as medidas a adotar. No início, vamos ter um autocarro a mais - um quinto autocarro - para fazer a regulação do arranque na Avenida da Boavista", disse.
A fase experimental, com horário de funcionamento entre as 06h00 e as 22h00, durará um mês e será gratuita, estando o serviço comercial previsto arrancar no dia 1 de abril, segundo informação da Metro do Porto.
Uma vez que o veículo vai partilhar via com os automóveis na Avenida Marechal Gomes da Costa, João Nuno Aleluia admitiu que o metrobus vai estar sujeito "às condições do trânsito" e "ter que viver com elas".
"O sistema semafórico vai ajudar-nos a conseguirmos fluir de forma suficientemente eficaz também o trânsito rodoviário", disse, uma vez que acaba por condicioná-lo.
Quando o veículo está parado, o sistema irá "facilitar o trânsito de cruzamento", uma vez que irá "abrir o semáforo" para deixar o metrobus e o restante tráfego passar.
Relativamente à falta de avisos sonoros de aproximação às estações, o responsável referiu que se está "em fase de ligação de todos os sistemas de apoio à exploração", admitindo que, "no primeiro dia, não vão estar todos a funcionar", algo a afinar na fase de testes.
Já sobre a distância do autocarro às paragens e condições para passageiros de mobilidade reduzida, João Nuno Aleluia referiu que "a questão das cadeiras de rodas foi estudada desde o início", e que o seu acesso "é pela porta da frente".
"Com o treino, iremos conseguir distâncias de paragem cada vez mais confortáveis e cada vez mais próximas. Quando o condutor vir uma cadeira de rodas, ou sabe que tem uma cadeira de rodas dentro do veículo, vai ter cuidado especial na distância de paragem", apontou.
Já sobre o facto de o mapa da rede do metro, dentro do veículo, já incluir a segunda fase do metrobus (até à Anémona) e a Linha Rosa, que ainda estão em construção, disse que "vai ter indicação do que está em funcionamento e do que não está em funcionamento".
O autocarro a hidrogénio dispõe ainda de zona para bagagens, pranchas de surf e carregadores USB normais e USB-C e, durante a viagem, já foi possível observar o sistema de semaforização a funcionar, sob o olhar atento de curiosos na rua, que fotografavam o veículo.
O responsável considerou ainda que "não é viável" a partilha do canal do metrobus com modos de mobilidade suave.
"Na fase inicial, claro, as pessoas estiveram e bem a usar o canal de metro para correr, para andar de bicicleta. Agora, naturalmente, com o serviço a acontecer, as pessoas vão sair do canal. Eu acho que é um processo normal", frisou.
O metrobus do Porto será um serviço de autocarros a hidrogénio que ligará a Casa da Música à Praça do Império e à Anémona (na segunda fase) em 12 e 17 minutos, respetivamente, representando um investimento global de 76 milhões de euros financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, o Fundo Ambiental e o Orçamento do Estado.
