Barragem do Baixo Sabor beneficia populações em caso de cheia e prejudica agricultura
Porto Canal/Agências
O presidente da Associação de Beneficiários do Vale da Vilariça alertou para o ressalto hidráulico nas descargas da barragem do Feiticeiro, no Baixo Sabor, que origina cheias, provocando danos nas culturas agrícolas desta região.
Em declarações à agência Lusa, Fernando Brás explicou que, quando a cota da barragem do Feiticeiro está situada muito próxima da área de regadio, basta uma descarga com ressalto hidráulico para haver inundações e os terrenos agrícolas ficam alagados.
Para o dirigente, embora, em caso de cheias, a existência da barragem tenha protegido mais as populações ribeirinhas, tem havido "uma permanência muito maior de cheias", e os terrenos ficam alagados por muito mais tempo, causando "graves prejuízos para os agricultores desta região".
Fernando Brás recua a 2016 e disse que nesse ano houve cheias, mas nada comparadas com as deste ano, em que os terrenos estiverem inundados mais de 10 dias.
“Com estas descargas, a situação agrícola em tempo de cheias piorou nos terrenos marginais do rio Sabor, junto à sua foz”, disse.
O dirigente apontou como exemplos dos prejuízos no regadio do Baixo Sabor os estragos nos hidrantes e nas caixas de derivação que estão submersas, são grandes e ainda não estão contabilizados.
Também o agricultor Mário Martins considera haver “uma má gestão do controlo da água nos rios Sabor e Douro, neste território do Nordeste Transmontano".
“Tenho um terreno junto à foz do Sabor com cerca de 600 laranjeiras que estão submersas há 25 dias e não as vou recuperar e a barragem tem poder de encaixe”, vincou.
Contactada pela Lusa, a Movhera, titular da concessão de várias centrais hidroelétricas em Trás-os-Montes e Douro Internacional, incluindo o Aproveitamento Hidroelétrico do Baixo Sabor e Feiticeiro, confirmou que todas as operações das barragens sob a sua gestão foram realizadas de acordo com as Regras de Exploração e Planos de Emergência em vigor, em coordenação com as autoridades locais e nacionais de proteção civil e a Agência Portuguesa de Ambiente (APA).
A concessionária acrescentou ainda que os diferentes níveis de alarme em função dos caudais combinados foram devidamente acionados pelos canais de comunicação pré-definidos com as autoridades e com a ativação do sistema de alarme de populações a jusante de forma coordenada e em permanente articulação com as autoridades competentes.
“Durante o período recente de condições meteorológicas adversas, as operações da barragem do Baixo Sabor e Feiticeiro, permitiram, pela gestão em tempo real das afluências e da capacidade de encaixe das barragens, a modulação dos caudais combinados do Douro e Sabor, restringindo a sua simultaneidade, conseguindo uma limitação significativa da dimensão e tempo de permanência de cheias. Este contributo foi determinante para evitar impactos potencialmente mais gravosos”, indicou na mesma nota.
A Movhera esclarece também que “a exploração destas infraestruturas é realizada com base em critérios técnicos exigentes, no estrito cumprimento das obrigações legais e regulamentares, mantendo como prioridade absoluta a segurança de pessoas e bens e a cooperação com as entidades competentes”.
A albufeira do Baixo Sabor estende-se ao longo de 60 quilómetros, desde a zona da barragem até cerca de 5,6 quilómetros a jusante da confluência do rio Maçãs com o rio Sabor, ocupando áreas dos concelhos de Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Mogadouro e Macedo de Cavaleiros.
As barragens começaram a operar em 2016 e foram construídas com o objetivo de melhorar a gestão operacional da bacia do Douro.
