Exposição mostra quase todo o trabalho mural de Dordio Gomes no Porto

Exposição mostra quase todo o trabalho mural de Dordio Gomes no Porto
Foto: FBAUP
| Porto
Porto Canal/Agências

A exposição “Dordio Gomes e a pintura mural no Porto: cal, pigmentos e píxeis” mostra, a partir de quinta-feira, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), o trabalho mural do pintor modernista.

De entrada livre, a exposição surge de uma colaboração entre a FBAUP e o Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa, através do projeto Mural in Motion, e apresenta um mural ‘ao vivo’, feito precisamente para aquela faculdade portuense em que Gomes deu aulas, mas também maquetes, registos de trabalhos preparatórios e a apresentação de reproduções digitais à escala real.

“Dordio Gomes é um artista conhecido do modernismo português, mas é conhecido sobretudo pela sua obra de cavalete. A sua obra mural, que fez muita e boa, é o tipo de obra que fica muitas vezes encerrada no interior de edifícios, que muitas vezes mudam ao longo do tempo, de proprietário ou de uso, e as pinturas por vezes ficam descontextualizadas, inacessíveis, vulneráveis”, explica à Lusa Begoña Farré Torras, que assume a curadoria científica da mostra com Leticia Crespillo Marí.

Ao todo, os visitantes poderão ver, entre ecrãs interativos, projeções, maquetes e o exemplar da faculdade, “seis conjuntos murais”, com cerca de duas dezenas de obras.

A exceção é um “fresco lindíssimo” que o pintor, nascido em Arraiolos em 1890, fez para a Livraria Tavares Martins, que foi “arrancado da parede” para ser integrado numa coleção privada.

“Quisemos dar a conhecer a obra de Dordio Gomes, agora que, por meios digitais, podemos levar este tipo de obras monumentais, arquitetónicas, digitalizadas, para um espaço expositivo”, explica a curadora.

Além do valor artístico em si das obras, a exposição pretende também “sensibilizar o público para o tipo de problemas associados com a obra mural em edifícios”, pretendendo “dar visibilidade” ao património mural moderno em espaços atravessados pela vida pública, mas também à forma como os usos, gerações, o tempo e a sociedade vão mudando e afetando estas criações.

“A pintura mural não tem valor comercial, porque ela não circula, não se compra, não se vende, não se coleciona. Simplesmente existe na cidade, é de todos e para todos. Ela tem o valor que lhe damos”, refere.

A mostra de Dordio Gomes, diz Begoña Torres, “é uma exposição piloto, uma primeira abordagem a este problema”, através do projeto Mural in Motion, encabeçado por Begoña Torras no Instituto de História da Arte da Nova.

“Dordio Gomes procurou sempre oportunidades para pintar mural, e concretamente mural a fresco, que o fascinou, uma técnica que ele cultivou e recuperou. No Porto, não havia ensino da pintura a fresco, e trouxe esse ensino para Belas Artes. Criou um curso livre, que foi um grande sucesso, inscreveram-se alunos e professores”, revela a investigadora.

Entre “uma espécie de tratado, artigos e cartas a amigos sobre os murais que pintava”, o artista assentou pensamento sobre a “equação quase impossível”, a de combinar ambição artística, as expectativas do cliente, o público que vai ver a obra e a realidade material do espaço.

“Pelos escritos que nos deixa, percebe-se que ele pensou estas questões a fundo e tentou dar-lhes resposta nas encomendas que recebeu”, sumariza.

À margem da exposição, patente até 2 de maio, a FBAUP recebe ainda uma aula aberta com Josep Minguell, na sexta-feira, e um colóquio internacional, marcado para 16 e 17 de abril, dedicado a “perspetivas críticas em abordagens digitais à herança mural moderna”, no âmbito do projeto Mural in Motion.

Simão César Dordio Gomes nasceu em Arraiolos, em 26 de julho de 1890, e morreu no Porto, em 12 de julho de 1976.

Dordio Gomes iniciou a sua formação académica na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e foi professor na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, tendo participado em muitas exposições nacionais e internacionais.

Tendo vivido em Arraiolos, Lisboa e Paris, antes de se estabelecer no Porto, em 1933, Dordio Gomes foi expondo em diferentes países. Em 1923, participou na exposição da Sociedade Nacional de Belas Artes “Cinco Independentes”, ao lado de Alfredo Miguéis, Diogo de Macedo, Francisco e Henrique Franco, numa mostra que tinha Almada Negreiros, Eduardo Viana e Mily Possoz como convidados, e que se revelou um momento-chave para a afirmação do modernismo.

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