Restauração junto ao Douro deve fechar para jantares e turistas só resistem por amor

Restauração junto ao Douro deve fechar para jantares e turistas só resistem por amor
| Porto
Porto Canal/Agências

Há proprietários da restauração de Gaia e Porto que preveem fechar esta sexta-feira negócios ao jantar devido à previsão da subida das água do rio Douro, mas há turistas resistentes, como um casal da Coreia do Sul em Lua de Mel, que enfrentou a chuva para se fotografar na Ponte Luiz I.

“Hoje [sexta-feira] é o primeiro dia que devemos ficar inibidos de fazer jantares. Já houve três ameaças que não se concretizaram, portanto, conseguimos trabalhar em pleno com o horário total. Hoje é precisamente o primeiro dia que estamos em risco de não fazermos jantares”, admitiu Nuno Costa, gestor do restaurante da Taberninha do Manel, junto à marginal da cidade de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

Nuno Costa assume que o volume de negócios está “muito abaixo do que era expectável” e prevê que esta sexta-feira vão pelo mesmo caminho.

“Abrimos ao público ao 12h00. A ideia é fazer almoços, mas mediante as situações que estão previstas que às 17h30 poderá haver uma nova descarga [das barragens] e poderá elevar outra vez o nível do rio [Douro], iremos se calhar ficar inibidos de fazer jantares”, reiterou.

Os negócios dos cruzeiros no Douro também estão proibidos e o negócio está parado, como conta Alexandra Campos, funcionária da A Bordo Tours, empresa que funciona em Gaia, mas que parou de vender viagens desde a semana passada.

“Vamos estar cancelados até à próxima terça feira, porque não estão reunidas as condições de segurança”, lamenta, consciente que o volume de negócios também vai sofrer quebras.

Um pouco mais à frente, e seguindo pela marginal, a loja Mundo Fantástico Portuguesa Sardinha foi afetada por uma pequena inundação, mas a água não chegou a fazer estragos, porque tem uma rampa logo na entrada que ajudou a estancar a água, explicou um dos funcionários, que se mantinha à porta de um negócio que esta manhã estava completamente jogado às moscas.

Do outro lado da rua, o Posto de Turismo de Gaia, junto à margem do Douro, estava lavado em lama. Alguns funcionários varriam o entulho, enquanto que outros desmontavam equipamentos para os salvar das inundações previstas para o fim da tarde desta sexta-feira.

Ivan Monteiro, 47 anos de idade, nascido e criado em Gaia, conta que esta madrugada e manhã várias pessoas em Gaia não puderam ir trabalhar devido à água do rio Douro que transbordou pela margem de Gaia a dentro.

O mau tempo provocado pelas depressões consecutivas estão também a afastar os turistas.

“Os turistas vêm quando isto está bonito para ver, mas quando está esta fase de calamidade já não aparecem por cá”, disse, reconhecendo que sempre que há estas catástrofes “os negócios das zonas ribeirinhas não abrem porque mais vale prevenir do que remediar”.

No outro lado da margem, em Miragaia, Porto, uma das zonas mais afetadas esta madrugada com o transbordo do Douro, Fernanda Seixas, que mora perto da Alfândega do Porto há mais de 50 anos, conta que já está habituada às inundações cíclicas que ocorrem quase todos os invernos naquela parte da cidade.

Esta noite, Fernanda diz que acordou de madrugada e verificou que deixou de ter eletricidade em casa à passagem da depressão Leonardo, que está a afetar Portugal.

“Às 05h20 vim à varanda e já nem tinha luz, nem tinha nada”, testemunha, referindo que tiveram de vir os funcionários da E-Redes para "compor a luz".

Informada de que ao final da tarde está prevista nova inundação do Douro, Fernanda Seixas reconsiderou ser oportuno comprar mantimentos para ter em casa, porque diz-lhe a experiência que é melhor prevenir, pois em 1962 a água do rio Douro subiu até ao topo da varanda do seu apartamento, que é no primeiro andar do prédio.

Apesar da depressão Leonardo ter afastado as centenas de turistas que todos os dias chegam ao Porto e Gaia para visitar o Património Mundial da UNESCO, há sempre alguns que resistem, principalmente os turista mais apaixonados, como o caso dum jovem casal recém-casado que chegou da Coreia do Sul para passar a Lua de Mel no Norte de Portugal.

O casal contratou uma fotógrafa sediada no Porto e esta manhã fizeram, mesmo debaixo de chuva, uma sessão fotográfica junto à Ponte Luiz I, com o rio Douro, cheio, e sem barcos rabelo, como pano de fundo.

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