Câmara de Bragança aprova orçamento de 60 milhões de euros
Porto Canal/Agências
A Câmara de Bragança aprovou, com três abstenções da oposição, o orçamento de 60 milhões de euros para este ano, revelou à Lusa a presidente da autarquia, a socialista Isabel ferreira.
Os 60 milhões de euros incluem 7,8 milhões para o Plano Municipal de Atividades e 21 milhões para o Plano Plurianual de Investimentos.
“É um orçamento que visa o crescimento económico e a modernização das nossas infraestruturas, a valorização do património, a promoção da qualidade de vida dos cidadãos e reforço da coesão social”, sublinhou a autarca Isabel Ferreira.
O orçamento municipal para 2026 foi apresentado apenas em janeiro e foi aprovado, em reunião de câmara, na segunda-feira, com os votos a favor do PS (presidente de câmara e dois vereadores com pelouro), um voto a favor do vereador independente com pelouros (eleito pelo PSD mas que se tornou independente para assumir pelouros) e ainda três votos de abstenção da oposição, dois dos vereadores sem pelouros do PSD e um do vereador independente (eleito pelo PS mas que se tornou independente).
De acordo com a presidente da Câmara de Bragança, no documento estão contemplados os “investimentos prioritários”, dando como exemplos o projeto de expansão da incubadora de empresas Brigantia Ecopark, mas também intervenções na zona histórica e na Praça Camões.
Isabel Ferreira adiantou à Lusa que o município pretende construir uma infraestrutura na Praça Camões e este ano vão “contratar o projeto de execução”. “Terá de ser uma intervenção que permita uma utilização da praça durante mais tempo, todo o ano, em condições de conforto, nomeadamente térmico, e que tenha um espaço de mercado, mas também multiúsos, com diversas atividades culturais”, explicou.
Outras das intervenções vão ser feitas no Teatro Municipal de Bragança, com a requalificação e melhoria de cobertura do espaço, e na central de camionagem.
“É nova [a central de camionagem], mas tem problemas ao nível das casas de banho, que não têm condições dignas, por exemplo, e implementar um sistema de bilhética mais eletrónico, modernizar aquele espaço e fazer um investimento ligado a comunidades de energias (…) como instalar fontes de energias renováveis”, avançou.
Ainda no que toca aos transportes, o município vai renovar a frota de autocarros do STUB - Serviços de Transportes Urbanos de Bragança, com a aquisição de seis autocarros elétricos e ainda adquirir quatro postos de carregamento elétricos, num total de quase 2,5 milhões de euros, 1,5 milhões financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência.
Este orçamento contempla ainda o apoio às freguesias, que este ano aumenta “125%”, num total de 3,37 milhões de euros, incluindo transferências de verbas para “competências delegadas às juntas” e “uma componente grande de permitir e alavancar investimentos em diversas áreas, como infraestruturas mais básicas, como a água e o saneamento, mas também de intervenção em algum edificado (…) ou dinamização de feiras”.
Em declarações à Lusa, o vereador do PSD António Batista salientou que se abstiveram na votação do orçamento porque “uma parte muito significativa” do investimento previsto decorre da execução de projetos “concebidos e preparados pelo anterior executivo” (que era do PSD).
“Estamos a falar numa grandeza de investimento na ordem dos 50 milhões de euros, dos quais mais de 33,5 milhões de euros já estão assegurados por financiamento comunitário”, afirmou, acrescentando que é “importantíssimo” concretizar os projetos em questão.
Por outro lado, foram também votadas na reunião de câmara as grandes opções de plano para o mandato de 2025-2029, onde estão apontadas as obras previstas.
António Batista lamentou que no documento não esteja contemplado o alargamento da cobertura de rede de saneamento no concelho, bem como a deslocação da Estação de Tratamento de Águas e Resíduos (ETAR), que “estava prevista no plano eleitoral do atual executivo”.
O orçamento municipal para 2026 e as grandes opções de plano vão ser votados no dia 29 de janeiro na Assembleia Municipal.
Embora a câmara seja liderada pelo Partido Socialista, a Assembleia Municipal é presidida pelo Partido Social-Democrata, que detém a maioria, 18 deputados com 34 presidentes de junta de freguesia, contra 20 deputados e cinco presidentes de junta do PS. Há ainda um deputado da Iniciativa Liberal e outro deputado do Chega.
Em 2025, o orçamento municipal foi de 61,25 milhões de euros.
