Antigo Abrigo dos Pequeninos reabre como Reservas do Museu do Porto após anos encerrado

Antigo Abrigo dos Pequeninos reabre como Reservas do Museu do Porto após anos encerrado
Foto: Andreia Merca | Porto.
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Porto Canal/Agências

O antigo Abrigo dos Pequeninos, encerrado desde 2013, reabriu esta quarta-feira como um espaço que servirá as Reservas do Museu do Porto e vai acolher 65 mil peças do acervo da cidade e ter espaços dedicados a conservação e restauro.

As obras de reabilitação do edifício, localizado nas Fontainhas, já tinham sido concluídas no final de 2024 e, até aos dias de hoje, a Câmara do Porto continua a efetuar as transferências das equipas da departamento de Cultura e Património que lá vão trabalhar e das cerca de 65 mil peças que lá terão morada.

“Queremos que esta seja uma casa de estudo, que seja uma casa de cuidado do património, mas também que seja uma de pessoas”, apontou aos jornalistas o vereador com o pelouro da Cultura, Jorge Sobrado, à margem da inauguração do espaço.

O vereador assegurou que a autarquia não quer este se limite “a ser um depósito ou um armazém” e lançou um desafio aos serviços municipais: que estejam “abertos a fazer visitas a pedido”.

“Eu sei que isto é uma dor de cabeça, mas no início devemos manifestar essa generosidade com a nossa vizinhança e com os portuenses. Para além das visitas que nós temos programadas, [devemos] estar abertos a realizar visitas a pedido, para quem quer conhecer este guarda-joias extraordinário, um guarda-joias vivo, humano, das nossas coleções e do Museu do Porto”, disse.

O espaço tem programado, ao longo deste ano, várias atividades, desde oficinas a conversas.

A reabilitação de “cerca de um milhão de euros” ficou a cargo da empresa municipal Domus Social e deu ao espaço nove salas de reserva adaptadas às várias tipologias dos objetos (cerâmicos e têxteis, por exemplo), uma “casa-forte” para obras de maior sensibilidade, um laboratório de conservação e restauro, um estúdio de fotografia, uma sala para desinfestar materiais, uma sala de materiais de embalamento, uma biblioteca de apoio e espaço para reuniões.

São várias as coleções que vão passar a ter morada no antigo Abrigo dos Pequeninos, desde a “grande coleção do pintor e colecionador Vitorino Ribeiro, que foi doada ao município do Porto nos anos 1950”, uma parte coleção de Eugénio de Andrade, a coleção Marta Ortigão Sampaio e “parte da coleção que, de algum modo, saiu do Museu do Romântico”.

Sobre o espólio Museu do Romântico, que em 2021 foi reconfigurado na Extensão do Romantismo do Museu da Cidade, o vereador da Cultura afirmou que, para além de uma parte estar agora neste espaço de reserva inaugurado esta quarta-feia, outras peças foram à data devolvidas aos seus proprietários, garantindo que o que era municipal “não foi perdido”.

O concurso público para a realização de obras no antigo Abrigo dos Pequeninos foi lançado em novembro de 2020, ainda no segundo mandato do então presidente Rui Moreira, cuja equipa mereceu elogios do atual presidente Pedro Duarte.

“Quero deixar um agradecimento a todos aqueles que, de facto, pensaram esta ideia, tiveram o arrojo e a coragem de avançar com ela”, declarou o autarca.

A abertura do novo espaço, com projeto de reabilitação assinado pelo coletivo Depa Architects, chegou a estar prevista para 2023 e foi sendo adiada.

O Abrigos dos Pequeninos foi fundado em abril de 1935 para acolher crianças carenciadas.

Em setembro de 2016, a Assembleia Municipal do Porto aprovou a venda do edifício em hasta pública por 1,4 milhões de euros, devendo o comprador recuperar o espaço com 800 mil euros e arrendá-lo ao município por um período mínimo de 20 anos, em troca de uma renda mensal de 7.000 mil euros.

A hasta pública acabaria por ficar deserta e, já em abril de 2017, Rui Moreira anunciava a intenção de dedicar 100 mil euros do orçamento anual para comprar obras de arte, indicando que a maioria do futuro espólio artístico da autarquia seria visitável em 2018 no Abrigo dos Pequeninos.

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