PCP de Gaia acusa Menezes de "criar dificuldades reais" com corte nos passes para idosos

PCP de Gaia acusa Menezes de "criar dificuldades reais" com corte nos passes para idosos
Imagem: Porto Canal
| Norte
Porto Canal/Agências

O PCP de Gaia acusou o executivo municipal de “criar dificuldades imediatas e reais” com a suspensão temporária do apoio nos passes de transportes para idosos, considerando que a decisão foi “repentina e sem informação prévia clara”.

Em comunicado, a Comissão Concelhia daquele concelho no distrito do Porto do Partido Comunista Português manifestou preocupação com a decisão do executivo liderado pelo social-democrata Luís Filipe Menezes de suspender, para reavaliação, o programa 'ViverGaia+65', que comparticipa passes Andante da terceira idade em 17,50 euros num total de 22,5 euros, por considerar que a instituição daquele programa foi "completamente irresponsável".

Segundo o PCP, “esta medida, independentemente da justificação apresentada pela câmara municipal, cria dificuldades imediatas e reais para milhares de beneficiários, muitos deles dependentes deste apoio”.

“A forma como a decisão foi tomada – de forma repentina e sem informação prévia clara – gerou, como seria de prever, inquietação legítima na população, que contava com este apoio na organização do futuro próximo”, salienta o texto.

Os comunistas apontam que, “qualquer interrupção ou alteração a este tipo de apoios deve ser conduzida com a máxima transparência, diálogo social e com garantias sólidas para evitar situações de exclusão”.

Para o PCP, a decisão de Luís Filipe Menezes de “retomar um programa de apoio em fevereiro, com critérios mais direcionados, cria instabilidade e preocupação e deixa em suspenso a vida de milhares de pessoas, tendo impacto desde já no seu dia-a-dia”.

Por isso, o PCP exige que o executivo municipal “esclareça publicamente, de forma urgente e detalhada, quais os critérios que estarão na base do novo programa de apoio anunciado para fevereiro” e que “adote medidas imediatas de apoio para que ninguém fique privado de mobilidade”.

O PCP quer ainda que seja apresentado uma calendário claro para o processo de reavaliação e para o relançamento do apoio que envolva as populações e as forças políticas.

O programa 'ViverGaia+65' foi criado pelo anterior executivo municipal, liderado pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues, em vigor desde janeiro de 2025, e previa a comparticipação municipal do passe para maiores de 65 anos, passando o munícipe a pagar cinco euros (mensalmente) e a câmara municipal assumia o restante valor (17,5 euros).

"Esse programa de transportes está a ser reavaliado e será retomado em 2026, tudo faremos para que tal seja possível já no mês de fevereiro, mas, prioritariamente, para quem mais precisa, os mais débeis da nossa comunidade: pensionistas de escalões baixos e idosos de pensões mais baixas", publicou na quarta-feira, na rede social Facebook, Luís Filipe Menezes.

Para Luís Filipe Menezes, o chamado programa 'ViverGaia+65', foi uma medida "completamente irresponsável".

"Este ano, por conhecimento tardio, 'só' se inscreveram 10 mil pessoas", segundo o autarca do PSD, que estimou que se todos os cerca de 70 mil idosos em Gaia se inscrevessem, "o que aconteceria progressivamente, a fatura poderia atingir duas dezenas de milhões de euros - com as condições atuais, injustas, dado a câmara suportar custos logísticos de emissão, personalização e envio de cartões".

Falando numa "fatura pesada" paga no final deste ano, que não quantificou, carecendo a medida para 2026 também de apresentação oficial até ao momento, o autarca considera que a continuação da medida "seria a ruína do município".

Para Menezes, "não faz sentido subsidiar cidadãos com 2,3,4,5 e mais milhares de euros de pensão ou reforma", pelo que o apoio "regressará em fevereiro, com um conjunto de outras medidas de cariz social reforçadas", e "será para os pensionistas e reformados de mais baixos recursos".

No domingo, num comunicado oficial, o PS/Gaia manifestou-se contra o "corte do apoio municipal a cerca de 9.000 beneficiários do cartão Andante Municipal 3ª Idade / 'ViverGaia+65'".

Considerando que o presidente da câmara "cortou de forma abrupta o apoio municipal", a estrutura presidida pelo vereador João Paulo Correia falava numa "decisão tomada de ânimo leve, destituída de sensibilidade social e sem informar previamente os beneficiários".

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