Orçamento Municipal de Mirandela de 43 milhões de euros aprovado com votos contra da AD

Orçamento Municipal de Mirandela de 43 milhões de euros aprovado com votos contra da AD
Foto: CM Mirandela
| Norte
Porto Canal/Agências

O orçamento municipal de Mirandela para 2026, de 43.2 milhões de euros, foi aprovado, em reunião de câmara, com os votos contra da AD, adiantou, esta sexta-feira, o presidente da câmara.

O orçamento municipal foi votado, em reunião de câmara, na quinta-feira, com três votos a favor do PS (presidente da câmara e dois vereadores com pelouro), uma abstenção do vereador independente sem pelouro, dois votos contra da AD e uma escusa por impedimento também da AD, por parte interessada no orçamento, podendo gerar conflito de interesses.

Em relação a 2025, há um aumento de 700 mil euros, “sobretudo com enfoque no abastecimento da água, no saneamento, na reabilitação de equipamentos desportivos, beneficiação da rede viária, habitação social, proteção do meio ambiente e conservação da natureza”, referiu o presidente da câmara.

“Temos também como fontes de financiamento os recursos a candidaturas, nomeadamente da Estratégia Local de Habitação, do Fundo Ambiental e no âmbito do quadro comunitário Portugal 2030”, explicou Vítor Correia.

Em declarações à Lusa, o autarca salientou que o orçamento está em consonância com a proposta feita na campanha eleitoral, mas ainda pode vir a sofrer alterações durante o próximo ano, com cerca de mais 10 milhões de euros, devido a candidaturas submetidas que podem ser aprovadas.

Uma das prioridades do município é o plano de eficiência hídrica, com horizonte temporal de 10 anos, que permitirá melhorar a rede de abastecimento de água, onde no próximo ano será investido cerca de um milhão de euros.

“Vamos começar pelos aspetos mais necessários e mais urgentes, que é a substituição das condutas principais da cidade de Mirandela e também a monitorização de forma automática de todos os depósitos de água, que nos permite intervir de forma imediata quando alguma rutura surge”, esclareceu.

Segundo o autarca, o orçamento do próximo ano contempla ainda a requalificação da “Ponte Nova” de Mirandela, no centro da cidade. Neste momento, está a ser feito o projeto, para depois ser dado início à obra.

“A ponte tem algumas deficiências estruturais e é por isso que precisa de ser intervencionada, ao nível da sua plataforma, ao nível dos pilares e sustentabilidade”, disse, avançando que a empreitada pode ultrapassar os dois milhões de euros.

O município vai ainda apostar na melhoria do Campo Desportivo da Reginorde, “com a atribuição de uma bancada, colocação de balneários e requalificação dos pavilhões A e B”.

Já no que toca ao IRS, o município vai devolver aos municípios 2% dos 5% que é permitido, e o Imposto Municipal Sobre Imóveis decidiu aplicar a taxa mínima, ou seja, 0,3%. “Nós deixamos anualmente nas famílias à volta de um milhão de euros”, sublinhou.

Apesar destas propostas, a AD criticou o orçamento, por considerar ser de “continuidade”.

“Não se perspetivando no orçamento projetos e programas significativos e diferenciadores de desenvolvimento para o concelho de Mirandela, nós votamos contra convictamente, porque entendemos que Mirandela vai cair, está cada vez com menos atividade municipal, prejudicando empresas e pessoas”, justificou o vereador Paulo Pinto.

O vereador sem pelouro criticou as obras incluídas no orçamento, como a Ponte Nova, salientando que o projeto é financiado pelo Governo, portanto a “câmara pouco ou nada fez”, e quanto à rede de abastecimento disse ser uma promessa eleitoral de há vários anos, na altura da candidatada socialista e anterior presidente, Júlia Rodrigues.

O orçamento municipal de Mirandela para o próximo ano, depois de aprovado na reunião de câmara, será votado na Assembleia Municipal, no próximo dia 19.

Paulo Pinto garantiu, à Lusa, que a AD voltará a votar contra na Assembleia Municipal.

O PS detém o maior número de deputados na Assembleia Municipal, com 12 mandatos mais 16 presidentes de junta de freguesia, num total de 28. Segue-se a AD com 10 mandatos mais 11 presidentes de junta, perfazendo 21. O Chega tem quatro mandatos, o Movimento Independente Amar Mirandela tem dois, a Iniciativa Liberal um e a CDU um também.

Ainda assim, Vítor Correia está confiante de que orçamento será aprovado. Quanto ao de 2025, estima que a taxa de execução ronde os 85%.

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