CEO da TAP está otimista com privatização e remete perímetro da venda para Governo
Porto Canal/Agências
O presidente executivo da TAP manifestou esta terça-feira otimismo quanto ao processo de privatização, sublinhando o interesse dos três maiores grupos europeus, mas frisou que cabe ao Governo definir o perímetro da venda e o calendário final.
“Em 2012, se não me engano, tivemos uma primeira tentativa de privatização com um único potencial comprador que nem foi sequer reconhecido pelo governo como tal e, portanto, esse processo morreu. Na segunda tentativa apareceu um operador que não era de primeira linha e que deu origem a uma operação de privatização entre 2016 e 2020”, lembrou Luís Rodrigues, num encontro com jornalistas, em Lisboa.
“Evoluímos de forma significativa para um cenário em que os três maiores grupos europeus mostraram interesse. Acho que isso diz tudo”, acrescentou.
Luís Rodrigues destacou ainda que a companhia aérea “está em boa forma”, embora tenha “os seus problemas para resolver, como todas as empresas de aviação do mundo”.
Em 3 de dezembro, em Macau, o secretário de Estado das Infraestruturas enalteceu também o facto de pela primeira vez, este século, uma privatização da TAP ter despertado o interesse dos três grupos aéreos líderes da Europa.
"Nunca nas três privatizações deste século da TAP apareceram as três companhias aéreas de líderes da Europa interessadas - e ativamente interessadas - na TAP. E, portanto, isso deixa-me confortável que os próximos oito meses de dor ali para o Luís [Rodrigues, CEO da TAP] vão resultar em algo bom aqui para todos nós", disse Hugo Espírito Santo, em Macau, durante o 50.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que contou com o líder da companhia na plateia.
A Air France-KLM, IAG e Lufthansa confirmaram ter avançado com a manifestação de interesse em entrar na corrida pela TAP.
Questionado sobre a possibilidade de concluir a privatização em 2026, o gestor disse: “Quero que se faça o melhor possível, o mais rapidamente possível, mas o ótimo é inimigo do bom”.
O plano de reestruturação acordado com Bruxelas previa, originalmente, a alienação da participação da TAP de 51% na Cateringpor e de 49,9% na antiga Groundforce até ao final deste ano, como parte das medidas aprovadas no âmbito da pandemia de Covid-19.
Sobre o cumprimento deste prazo, Luís Rodrigues comentou: “Não sei se [a venda] não vai acontecer ou se vai acontecer a intenção [até ao final do mês] e completá-la logo que possível", ou seja, apenas em 2026. "Não foi possível fazer tudo ao mesmo tempo”, apontou.
Relativamente ao perímetro dos ativos a incluir na privatização, como a Cateringpor, Luís Rodrigues esclareceu que a decisão cabe ao Governo.
O caderno de encargos prevê a venda de uma participação de até 44,9% da TAP, com 5% do capital reservado aos trabalhadores, sendo que o futuro comprador terá direito de preferência sobre qualquer fatia não subscrita.
Caso os negócios de ‘catering’ e ‘handling’ fiquem de fora, a lista a incluir na privatização deverá ser composta pela TAP SA, Portugália e a unidade de cuidados de saúde do grupo (UCS).
Quanto à possibilidade de a TAP passar a prestar serviços de ‘handling’ atualmente assegurados pela Menzies, o CEO afirmou que “não está a ser equacionado neste momento”.
Nos próximos meses, a Comissão Europeia avaliará o fim do plano de reestruturação da TAP e o cumprimento das metas acordadas, em coordenação com o Estado português. Se as metas forem consideradas cumpridas, a TAP ficará isenta de algumas restrições, incluindo o limite de 99 aviões e a proibição de adquirir outros ativos.
