Chega quer reunião extraordinária da Câmara do Porto em janeiro para analisar metrobus
Porto Canal/Agências
O vereador do Chega na Câmara do Porto quer a realização de uma reunião pública extraordinária em janeiro para análise do projeto do metrobus, com a presença dos administradores que representam o município na administração da Metro do Porto.
Em comunicado divulgado esta terça-feira, Miguel Corte-Real refere que a proposta será feita na quarta-feira, na reunião pública do executivo, sendo o objetivo analisar o projeto do metrobus na Boavista, “a sua génese e futuro”.
“É fundamental que os representantes da câmara [na administração da Metro do Porto] nos digam que instruções concretas receberam e estão a receber do acionista câmara municipal no que diz respeito à aprovação daquele projeto, aos seus avanços e opções”, refere o vereador.
Miguel Corte-Real refere-se em concreto a Gonçalo Mayan Gonçalves e à presidente da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Cristina Pimentel, e ambos representam a Área Metropolitana do Porto (AMP) na administração da transportadora como vogais não executivos.
Contactado pela Lusa, o vereador do Chega disse considerar que “Gonçalo Mayan Gonçalves chegou à administração da Metro do Porto por indicação indireta, através da Área Metropolitana do Porto, sendo verdade que em 2017 participou numa reunião de executivo com o mesmo enquadramento e sendo apresentado como ‘representante da Câmara do Porto na Administração da Metro’”.
Já Cristina Pimentel, referiu, “é presidente do Conselho de Administração da STCP por nomeação direta e ocupa lugar na Metro por inerência, já que a STCP, detida maioritariamente pela Câmara do Porto, é também acionista da Metro”.
No comunicado, Miguel Corte-Real sublinha que “a câmara municipal é o acionista maioritário da STCP [Sociedade de Transportes Coletivos do Porto], empresa de capitais públicos encarregue de operar o sistema de metrobus, e que a Metro do Porto apenas pôde avançar com a obra com autorização do município”.
“Daí que faça sentido que Gonçalo Mayan Gonçalves e Cristina Pimentel (…) possam dar explicações públicas aos vereadores sobre como votaram a estratégia da empresa, as decisões de construção de novas linhas e as opções concretas sobre o projeto metrobus”, indicou o autarca eleito pelo Chega.
Corte-Real recorda ainda que Pedro Duarte, durante a campanha eleitoral para as autárquicas, assumiu posições contra a segunda fase da obra, “regozijando-se contra a sua paragem a poucos dias das eleições”, mas “as mesmas foram retomadas entretanto, após a sua vitória” a 12 de outubro.
“É por isso importante que fique hoje claro quais são as intenções do município relativamente ao projeto”, sublinhou o vereador.
As obras da segunda fase do metrobus, suspensas pela nova administração da Metro do Porto em outubro, recomeçaram em 3 de novembro na Avenida da Boavista, entre o Colégio do Rosário e a Fonte da Moura.
Um mês antes, a Metro do Porto tinha decidido fazer uma “paragem técnica temporária” da obra desta segunda fase do metrobus.
As obras da segunda fase do metrobus arrancaram em 22 de setembro, no corredor bus dedicado da Avenida da Boavista, no troço compreendido entre a Rua Jorge Reinel e a Avenida do Dr. Antunes Guimarães, e foram alvo de contestação, quer por parte de candidatos à presidência da autarquia, quer por populares, nomeadamente quanto ao abate de árvores.
Aquando do avanço da empreitada, a empresa era liderada por Tiago Braga, que foi entretanto substituído por Emídio Gomes, ex-reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Há pouco mais de duas semanas, Pedro Duarte disse que a Câmara do Porto já tinha recebido a versão final do memorando de entendimento necessário ao funcionamento do metrobus, sendo a assinatura do documento “uma questão de dias”.
A circulação do metrobus está dependente da assinatura deste memorando de entendimento, que é quadripartido entre o Estado, a Câmara do Porto, a Metro do Porto e a STCP.
“Nós estamos prestes a ter uma solução bem conseguida, quer para a fase 1, quer para a fase 2 do metrobus (…). E, portanto, acho que agora é o momento de se tomar a decisão, de se avançar e a cidade não ficar parada”, referiu Pedro Duarte na ocasião, acrescentado que, “felizmente”, agora na Metro do Porto há “um Conselho de Administração que está muito alinhado com aquilo que é também o propósito da Câmara Municipal do Porto”.
Para Pedro Duarte, este é o “concretizar” de um “propósito” que assumiu na sua campanha eleitoral: o de “rapidamente encontrar respostas para problemas que estão adiados há demasiado tempo”.
“Acho que já ninguém na cidade do Porto tolera que esta novela do metrobus se prolongue. Portanto, nós estamos a trabalhar de forma muito empenhada nos últimos dias neste dossiê e, portanto, eu acho que também no curto prazo nós vamos ter novidades a esse respeito, e acho que finalmente vai haver uma solução para o metrobus”, concluiu.
O metrobus do Porto será um serviço de autocarros a hidrogénio que ligará a Casa da Música à Praça do Império e à Anémona (na segunda fase) em 12 e 17 minutos, respetivamente.
O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros. Já a empreitada do metrobus custa cerca de 76 milhões de euros.
