Executivo da Trofa (PSD/CDS) faz acordo de governação com vereadores do PS/PAN/Livre
Porto Canal/Agências
O executivo da Câmara da Trofa, constituído pelo presidente Sérgio Araújo e dois vereadores eleitos pelo PSD/CDS-PP, vai atribuir pelouros aos dois vereadores eleitos pela coligação PS/PAN/Livre, após chegarem a acordo.
“Depois de o resultado das últimas eleições autárquicas de 12 de outubro e tendo em vista o superior interesse da Trofa e dos trofenses, foi estabelecido um Acordo de Governação Autárquica entre o executivo municipal, eleito pela coligação Unidos pela Trofa (PSD/CDS), e os vereadores eleitos pela coligação Trofa em Primeiro (PS/PAN/Livre)”, pode ler-se num comunicado enviado esta segunda-feira pelo município.
Segundo fonte da autarquia contactada pela Lusa, aos dois vereadores socialistas eleitos pela coligação PS/PAN/LIVRE, Amadeu Dias e Luís Cameirão, vão-lhes ser atribuídos pelouros.
A autarquia garante que este “compromisso” entre as duas partes é “essencial” para a estabilidade governativa, “condição fundamental para executar políticas públicas com continuidade, segurança e eficácia”.
“O contexto recente, marcado pela realização frequente de reuniões extraordinárias, tornou-se incomportável para o bom funcionamento dos serviços municipais, gerando constrangimentos operacionais e prejudicando os munícipes. Este acordo contribui, assim, para restaurar previsibilidade, organização e eficiência na ação autárquica”, justificou a autarquia.
A 29 de outubro, na primeira reunião de executivo, a delegação de competências no presidente da Câmara da Trofa foi chumbada pela oposição, o que obrigaria, perante a ausência de um acordo, a que as reuniões passassem de quinzenais para semanais.
Neste concelho do distrito do Porto, a eleição de 12 de outubro deu a vitória à coligação Unidos pela Trofa, que reúne o PSD e o CDS-PP, mas sem maioria, ficando-se por três eleitos, contra os dois eleitos pelo PS/PAN/Livre e outros dois pelo movimento independente Todos pela Trofa.
À data, contactado pela Lusa, o socialista Amadeu Dias argumentou que "a proposta de delegação de competências foi chumbada porque o presidente não tem maioria", criticando-o por, desde a tomada de posse, "não ter conversado com o PS, não ter procurado encontrar pontos para que se possa discutir quais são as competências que podem ficar com o presidente e quais as que podem e devem continuar com a câmara".
Pela mesma altura, o presidente da autarquia, Sérgio Araújo, alertou que a não aprovação da delegação de competências poderia implicar “atrasos na concretização de projetos, obras e processos, bem como de decisões essenciais para o bom funcionamento dos serviços municipais, com reflexos diretos na vida dos trofenses" e apelou ao “bom senso e espírito de colaboração" de todos os eleitos municipais.
A Lusa contactou o vereador Amadeu Dias, que confirmou a atribuição de pelouros, mas sem avançar de quais se tratam, uma vez que não estão ainda “totalmente definidos”.
O socialista, que elogiou o presidente da autarquia por ter procurado dialogar e construir pontes, ressalvou não terem estado “à procura de lugares”, mas sim a tentar “resolver a vida aos trofenses”, e garantiu que contribuirá para uma “governação estável” que terá o contributo dos compromissos eleitorais que estabeleceram durante a campanha autárquicas.
