Vila do Conde assume remoção de planta invasora no rio Ave e pede apoio estatal

Vila do Conde assume remoção de planta invasora no rio Ave e pede apoio estatal
Foto: DR
| Norte
Porto Canal/Agências

A Câmara de Vila do Conde, do distrito do Porto, está a remover jacintos-de-água no rio Ave com recursos próprios, numa operação de mitigação que pretende acelerar o escoamento destas plantas invasoras para o mar.

O presidente da Câmara de Vila do Conde, Vítor Costa, explicou esta sexta-feira à Lusa que o município apenas “está a minimizar impactos locais”, já que o problema ultrapassa fronteiras administrativas e exige coordenação supramunicipal, envolvendo entidades com competências ambientais e de gestão da bacia hidrográfica.

“O problema é global, e não competia apenas ao município de Vila do Conde assumir estas operações, até porque a bacia hidrográfica do Ave não envolve só o nosso território. A responsabilidade tem de ser partilhada”, afirmou o presidente.

O autarca disse estar disponível para integrar uma solução conjunta entre municípios, mas considerou que a responsabilidade inicial cabe à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), por se tratar de um recurso hídrico sobre o qual o município não tem competências técnicas nem administrativas.

“Estamos completamente dispostos a participar numa solução que será sempre intermunicipal, mas a responsabilidade primeira é da APA e da CCDR-N para resolver um problema que existe a nível nacional”, declarou.

Vítor Costa assinalou que a autarquia manteve equipas com máquinas no terreno, ao longo da semana, concentradas em garantir que os jacintos continuam o percurso natural até à foz do rio e não permanecem acumulados nas zonas mais críticas do rio, nomeadamente junto à românica Ponte D. Zameiro.

“A nossa única preocupação é o encaminhamento rápido dos jacintos para o mar, porque é a única coisa que nós podemos fazer. Continuamos a estar no terreno, contratámos uma empresa que, com recurso a máquinas, está a fazer com que os jacintos possam fluir. É muito importante diminuir a pressão daquela massa de jacintos nos pilares da ponte”, vincou.

O presidente adiantou que, até ao momento, nenhuma entidade responsável pela gestão ambiental nacional contactou o município sobre eventuais apoios financeiros ou técnicos para lidar com a situação.

“Espero que seja uma questão de momento até sermos contactados com disponibilização de apoios. Não quero acreditar que haja uma solução de apoio destas entidades para outros municípios e não haja um auxílio para esta situação no rio Ave”, concluiu.

O jacinto-de-água é uma planta flutuante originária da região amazónica, na América do Sul, e caracteriza-se por uma propagação muito acelerada, criando extensas massas à superfície que reduzem a luz disponível, degradam a qualidade da água e condicionam a sobrevivência de várias espécies aquáticas.

Face ao impacto crescente desta invasora no rio Ave, Vila do Conde tem reiterado ao Governo a necessidade de estratégias permanentes de controlo e prevenção, sublinhando que o fenómeno exige respostas coordenadas.

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