Ampliação da ETAR de Ermesinde (Valongo) aprazada para o último trimestre de 2026
Porto Canal/Agências
As obras de ampliação da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Ermesinde deverão iniciar-se no último trimestre de 2026, representando um investimento de 17,75 milhões de euros, revelou esta terça-feira à Lusa o presidente de Câmara de Valongo.
Atualmente em fase de estudo de impacto ambiental, aquele equipamento está a funcionar 50% acima da sua capacidade, o que faz temer eventuais vazamentos para o rio Leça, uma situação que Paulo Esteves Ferreira admite existir, mas que não significa que possa antecipar as obras.
“Nós estamos a tentar que seja o mais rápido possível, só que há prazos que não são ultrapassáveis e, ainda por cima, tendo em conta o valor, obriga a um concurso internacional, obriga a Tribunal de Contas (…) contamos que o início da construção aconteça entre outubro, novembro ou dezembro do próximo ano”, explicou o autarca socialista, segundo o qual a concessionária Bewater irá lançar o concurso entre maio e junho do próxio ano.
As obras deverão estender-se por um prazo de três anos, acrescentou Paulo Esteves Ferreira.
Financiando em 70% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), a obra deixa em aberto 5,32 milhões de euros para município e concessionária resolverem, tendo o presidente da câmara “afastado aumentar o tarifário” para custear a sua metade do remanescente.
“Acertámos com a concessionária pagar a nossa metade [cerca de 2,66 milhões de euros] através do desconto no valor de renda mensal prevista no contrato até ao final da concessão, em 2036”, explicou Paulo Esteves Ferreira.
Esta solução, segundo o autarca, “não penaliza o orçamento municipal e assegura que não penaliza a fatura do consumidor”.
A ETAR existe desde 1998 e serve as populações de Ermesinde e de Alfena, tendo sido construída para uma determinada capacidade, mas, como a população e o número de indústrias tem vindo a crescer, já a ultrapassou, explicou o autarca que vê no financiamento do FEDER uma oportunidade.
“Estando em curso um projeto intermunicipal, que é o corredor do rio Leça, para despoluir o rio, tratar as suas margens e dotá-las de passadiços, para que as pessoas possam caminhar e usufruir da paisagem hídrica, não faz sentido não aproveitar estas oportunidades para poder dotar a ETAR de outra capacidade que permita, depois, que aquilo que é descarregado no rio seja já com um grau de pureza quase máximo”, sublinhou.
O autarca lembrou, a propósito, que a ETAR “teve, recentemente, uma intervenção para minimizar o impacto dos cheiros” e que, dada a pressão e incapacidade atual da ETAR, “a concessionária está de sobreaviso”, exercendo ”ações de contingência” quando há vazamentos “para minimizar o impacto”.
A terminar, Paulo Esteves Ferreira expressou a preocupação sobre as obras também necessárias nas ETAR a montante, alertando que de nada valerá o esforço em Ermesinde se o trabalho necessário nas situadas na Maia não acontecer também.
