Trabalhadores Social-Democratas do Porto apelam ao diálogo para evitar greve geral
Porto Canal/Agências
A distrital dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD) do Porto apelou ao diálogo para que seja evitada a greve geral de 11 de dezembro, convocada pela CGTP e pela UGT, revelou em comunicado aquela organização.
O apelo foi aprovado esta sexta-feira, por unanimidade, na reunião alargada da distrital, que reuniu o secretariado distrital, representantes concelhios dos TSD nas comissões políticas concelhias do PSD, presidente da mesa e presidentes de secções laborais, acrescenta a nota de imprensa.
Considera a distrital que a concretização da greve geral “é desproporcional e fora do tempo”, alegando que o anteprojeto da reforma laboral: Trabalho XXI, encontra-se em fase de discussão e negociação com os parceiros sociais.
Críticos da posição da CGTP, “que desde o primeiro momento recusou-se a negociar e a dialogar”, os TSD do Porto elogiam a UGT, que “manteve a sua atitude participativa nas diversas reuniões calendarizadas para esse efeito, mantendo também o Governo a metodologia acordada”.
“Sabemos que a CGTP é um braço armado do PCP, já a UGT, tendo a maioria de dirigentes da tendência socialista e a minoria da tendência social-democrata [de que faz parte os TSD], sempre soube zelar pelo valor maior do diálogo e da paz social, assinando importantes acordos, quer seja em governos mais à esquerda ou mais à direita. Apelamos a que a UGT não mude este posicionamento, para bem da união do mundo sindical”, prossegue o comunicado.
Os social-democratas “enaltecem a atitude” do Governo, porque “tudo tem feito para melhorar a vida dos trabalhadores, das empresas e das famílias portuguesas, através de uma política de rendimentos que valoriza o trabalho e a poupança, o mérito e a justiça social”.
A distrital dos TSD assinala que “o rendimento médio dos trabalhadores portugueses em 2024 aumentou 6,7%, o valor mais alto dos países da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]”, sublinhando tratar-se do “maior aumento em 16 anos e que se deve ao incremento no aumento dos salários e na baixa de impostos”.
A organização destaca ainda que “em 2026 os portugueses terão a quarta redução do IRS em três anos” e que o Salário Mínimo Nacional “aumenta acima do previsto: para 920 euros já no próximo ano e com compromisso de 1.100 euros até ao final da legislatura” bem como que o “Governo também antecipa em três anos a meta para salário médio: 1.890 euros em 2028”.
“Até à data, foram valorizadas 20 carreiras especiais (26 acordos celebrados com sindicatos). O país vive uma situação de quase pleno emprego, com uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, abaixo dos 6%. O bom clima económico leva-nos à previsão de que o PIB deve crescer 2,3%, é o quinto ano consecutivo que o país cresce acima da Zona Euro e EU [União Europeia]”, prossegue a nota de imprensa.
Para os TSD, é “neste cenário que o país deve ter a ambição de realizar uma adequação do código laboral aos novos tempos, deixando modelos arcaicos e de elevada conflitualidade laboral”.
A greve geral foi anunciada no sábado pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, no final da marcha nacional contra o pacote laboral, que levou milhares de trabalhadores a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, em protesto contra as alterações propostas pelo Governo de Luís Montenegro.
Após o anúncio da greve, os manifestantes mostraram apoio à paralisação de 24 horas ao entoar "o ataque é brutal, vamos à greve geral”.
Na quinta-feira, a UGT aprovou por unanimidade a decisão de avançar em convergência com a CGTP, incluindo, assim, o voto favorável dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD).
Esta será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da 'troika'.
