Presença de Seguro no Porto mostra que presidente vê país "como um todo"
Porto Canal/Agências
O presidente da Câmara do Porto considerou esta terça-feira que a presença do Presidente da República na cidade na tomada de posse demonstra que olha para o país "como um todo", antecipando que Seguro represente uma "calma inconformada" no país.
"Há nesta cerimónia, realizada neste local, um importante simbolismo que certifica que a mais alta figura do Estado Português olha para o território nacional como um todo. E que nos trata por igual", disse Pedro Duarte no seu discurso no Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto, realizado no âmbito da tomada de posse de António José Seguro como Presidente da República.
Segundo Pedro Duarte, "este é o tempo para a igualdade de oportunidades e para a coesão territorial".
"É o tempo certo para nos libertarmos de um centralismo degradante, paralisador e opressivo que há demasiadas décadas bloqueia o desenvolvimento do país", referiu.
Recordando que António José Seguro "foi eleito sob o signo da moderação e do equilíbrio", Pedro Duarte considerou "nada mais natural" esse acontecimento para "alguém que, ao longo da sua vida política, demonstrou inequívoca cultura democrática, consciência cívica, apego à causa pública e sentido de Estado".
"Num tempo marcado por discursos cada vez mais polarizados, por algoritmos que amplificam o conflito e pela tentação permanente de reduzir a realidade a escolhas simplistas entre 'nós' e 'eles', a moderação tornou-se uma virtude particularmente exigente", considerou o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP-IL.
Pedro Duarte salientou que mesmo que alguns confundam a moderação "com tibieza ou indecisão", ser moderado é "um ato de coragem e de rebeldia cívica - uma forma de resistência perante a lógica das trincheiras e da radicalização".
"Por ser cada vez mais rara, esta moderação quase insurreta - que no Porto tanto apreciamos - revela-se particularmente valiosa no atual contexto nacional e internacional", refere, considerando que os cidadãos "procuram capaciade de diálogo, pragmatismo na resolução de problemas e compromisso com o interesse geral", disse o autarca.
Pedro Duarte considerou que os portugueses "esperam dos seus responsáveis públicos menos teatralidade e mais sentido de convergência e de comunidade", e destacou que Seguro já revelou "ser um interlocutor credível, sereno e aberto ao consenso".
Observando que atualmente "a moderação e a tolerância raramente fazem manchete ou se tornam virais nas redes sociais", Pedro Duarte considerou que a eleição de António José Seguro como Presidente da República dá "razões fundadas para o otimismo e para a esperança".
"Mostra que os portugueses não se deixam iludir pelas luzes da política-espetáculo e que, na hora da verdade, sabem escolher a compostura em vez do ruído, a tolerância em vez do extremismo", frisou.
Para o presidente da Câmara do Porto, António José Seguro poderá ser "a calma inconformada de que o país precisa neste momento".
"Uma calma firme, lúcida e corajosa. Não uma calma passiva ou acomodada, mas uma serenidade capaz de recentrar o debate público, moderar os excessos, devolver confiança às instituições e, sobretudo, esperança aos portugueses", apontou.
Na cerimónia estiveram presentes cerca de 150 convidados, entre os quais o bispo do Porto, Manuel Linda, o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, e o ex-presidente do conselho de administração do BPI, Artur Santos Silva.
A posse do novo Presidente da República contemplou dois dias de programa, alargado a Arganil, Guimarães e ao Porto, com iniciativas que refletem prioridades e desígnios do seu mandato.
António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, foi eleito Presidente da República na segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, com mais de 3,5 milhões de votos, um número recorde, 66,84% dos votos expressos, contra André Ventura, presidente do Chega.
