Presidente da Câmara de Aveiro pede “estado de graça” à oposição

Presidente da Câmara de Aveiro pede “estado de graça” à oposição
| Norte
Porto Canal/Agências

O presidente da Câmara de Aveiro pediu esta quinta-feira um estado de graça, na sequência da recusa da proposta dos vereadores socialistas para discutir na segunda reunião do mandato 2025/2029 a revogação do Plano de Pormenor do Cais do Paraíso.

Durante o período antes da ordem do dia, da reunião pública do executivo municipal que decorreu esta quinta-feira, a vereadora do PS Ana Paula Urbano lamentou a não inclusão na ordem de trabalhos do ponto para discutir a revogação do Plano de Pormenor (PP) do Cais do Paraíso.

“O presidente começou mal nesta questão porque o ponto devia ter sido inserido na ordem de trabalhos”, disse a vereadora, adiantando que o pedido dos vereadores socialistas foi efetuado dentro do prazo legal.

A socialista enfatizou a urgência deste assunto, dando conta que em setembro o Ministério Público solicitou à autarquia elementos sobre o PP do Cais do Paraíso.

Na resposta, o presidente da Câmara, Luís Souto (PSD/CDS-PP/PPM), justificou a decisão por entender que a discussão desta matéria não é oportuna, alegando que os membros do executivo carecem de “uma ampla informação” sobre este processo para estarem conscientes das consequências dos seus atos.

“Atrevo-me a dizer que todos os que estamos aqui na vereação atual precisamos de informação documentada sobre essa questão e sobre as possíveis consequências de uma eventual revogação”, disse o autarca.

Luís Souto apelou ainda à compreensão dos vereadores da oposição, afirmando que este assunto não é urgente e há um ganho para todos em ter mais tempo e melhor informação para documentar uma tomada de posição sobre esta matéria.

“Existe um tempo que é o chamado estado de graça. Vocês nem o estado de graça nos querem conceder, falando para o PS. Deem-nos ao menos um estadinho de graça. Foi uma semana. Será que não nos podem dar um mês para a gente respirar e analisar as coisas”, afirmou.

Luís Souto admitiu um “horizonte até ao final do ano” para agendar esta matéria, sem avançar uma data certa, assegurando que “ninguém irá para a festa de Natal sem ter tomado uma decisão”.

Paula Urbano chegou a apresentar uma proposta para se votar a inclusão deste ponto na ordem de trabalhos da reunião desta quinta-feira, mas acabou por retirar a proposta.

O plano, que permite a construção de um hotel de 12 pisos, foi aprovado, em agosto, pelo anterior executivo municipal e, depois, pela Assembleia Municipal, tendo sido um dos temas quentes na campanha eleitoral das autárquicas, com todos os candidatos a manifestarem-se contra a proposta com exceção do candidato da coligação PSD/CDS-PP/PPM.

O plano tem como objetivo a reconversão de um vazio urbano estratégico, localizado numa das principais portas de entrada da cidade, promovendo a qualificação e integração harmoniosa entre o tecido urbano e os canais da Ria de Aveiro.

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