Circolando-Central Elétrica no Porto assinala 25 anos com novos projetos de criação
Porto Canal/Agências
A Circolando - CRL-Central Elétrica, um centro cultural e transdisciplinar, no Porto, assinala no sábado os seus 25 anos, com a expectativa de “poder continuar a desenvolver o projeto do centro de criação e residências artísticas na Central Elétrica”.
“Queremos também, claro, continuar a desafiar-nos com novos projetos de criação”, disse à Lusa André Braga, um dos fundadores e diretor artístico da companhia, ao lado de Cláudia Figueiredo.
Instalada na antiga central termoelétrica do Freixo, a CRL – Central Elétrica é um centro de residências e criação artística que procura ressignificar uma parte deste polo industrial desativado, “pulsando e gerando outras formas de energia”.
“Ao longo destes 25 anos, o que guardamos de mais positivo são as muitas pessoas que se foram cruzando connosco e fizeram parte do projeto. Vários ciclos, várias famílias, com muita cumplicidade, dedicação, empenho e talento. Guardamos, também, as muitas viagens, as experiências vividas, e o privilégio de podermos viver a fazer aquilo de que gostamos”, sublinhou.
Neste percurso, “viveram-se também momentos de incerteza, a dificuldade em organizar o nosso tempo e a tensão a ela associada, o excesso de trabalho e os anos da ‘troika’”, salientou André Braga.
Relativamente ao futuro, as expectativas dos fundadores passam por continuar a desenvolver o projeto do centro de criação e residências artísticas na Central Elétrica, que tem sido “um espaço importante para novos encontros, partilha de ideias e vontade de resistir na cidade com lugares pouco institucionais, de grande abertura, onde artistas e público se cruzam e conversam com proximidade”.
“A criação artística precisa destes espaços de liberdade”, considerou o diretor artístico da CRL – Central Elétrica.
Depois de ao longo do ano ter assinalado em vários momentos os seus 25 anos de existência, no sábado será o culminar das comemorações de um percurso coletivo que tem afirmado a CRL – Central Elétrica como “um laboratório permanente, um lugar para o risco, um lugar de cruzamento de gerações e geografias”, disse.
Segundo André Braga, o conceito de transdisciplinaridade está no centro deste projeto artístico: “Um diálogo intenso entre dança e teatro, com forte apelo aos contributos de outros campos artísticos: poesia, artes plásticas, música, vídeo”.
No sábado, a festa começa às 18h00, com duas sessões da Mostra Lab Ceará, apresentando o trabalho das artistas Andreia Pires e Maria Epinefrina, do Brasil, que realizam a residência artística internacional “Travessias de Criação Porto-Central 2025”, uma parceria entre a Porto Iracema das Artes e a CRL – Central Elétrica, com mentoria artística de Cristina Planas Leitão.
Nesta mostra, as criadoras partilham fragmentos dos projetos desenvolvidos em Portugal, explorando o corpo como arquivo vivo, território de resistência e reinvenção.
Andreia Pires apresenta “Clemente”, um espetáculo que une teatro e dança e reflete sobre as mulheres da sua família, e Maria Epinefrina partilha “Maldita”, obra que investiga sobre mulheres insurgentes, refletindo sobre culpa, castigo e poder feminino.
A partir das 19h00, Tales Frey apresenta a instalação “Estilhaços e Acúmulos”, ponto de situação de uma série de criações construídas a partir dos escombros do consumo: roupas recolhidas do lixo urbano transformam-se em matéria simbólica e corpórea, questionando o esgotamento dos recursos naturais e sociais.
Depois haverá um jantar coletivo oferecido e a festa continua com música de Tó Trips e João Doce, que sobem ao palco pelas 21h00, com Errante, uma viagem sonora sobre deslocamento, memória e busca de pertença.
O programa prossegue, pelas 00h00, com o concerto de Claiana, ‘alter ego’ de Aguinaldo Conceição, natural de São Nicolau, Cabo Verde.
Pelo espaço, estará patente a instalação fotográfica que revisita em 25 imagens o percurso de criação de André Braga e Cláudia Figueiredo.
A celebração de 15 de novembro “encerra simbolicamente um ano de travessias e abre caminho a novos percursos, feitos de corpos, sons e imaginários partilhados”, acrescentou André Braga.
O evento é de acesso gratuito com oferta de jantar. As portas abrem às 18h00 de sábado.
