Movimento Não às Minas – Montalegre reforça oposição à exploração na Borralha

Movimento Não às Minas – Montalegre reforça oposição à exploração na Borralha
| Norte
Porto Canal/Agências

O Movimento Não às Minas – Montalegre reforçou, esta segunda-feira, a oposição à exploração na mina da Borralha, considerando que persistem “lacunas técnicas” no Estudo de Impacte Ambiental (EIA) que “impedem uma avaliação ambiental completa e fidedigna” do projeto.

O EIA da mina da Borralha, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, está em consulta pública até 17 de novembro e prevê a exploração subterrânea de tungsténio numa área mineira desativada desde 1986.

A decisão final da Avaliação de Impacte Ambiental é da responsabilidade da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e está prevista para janeiro.

Em comunicado enviado, esta segunda-feira, à agência Lusa, o Movimento Não às Minas – Montalegre reforçou a sua oposição à exploração na Borralha, acrescentando que a comunidade local se opõe à reabertura da mina por “preocupações ambientais, sociais e de saúde pública”.

Salientou ainda que “persistem lacunas técnicas” no EIA que “impedem uma avaliação ambiental completa e fidedigna”.

A empresa Minerália assinou um contrato de concessão com o Estado em 2021 para a exploração mineira subterrânea na Borralha.

É nesse âmbito que está em consulta pública o EIA da mina da Borralha, desde 7 de outubro e até 17 de novembro, durante 41 dias, tendo sido submetidas, até às 10h30 desta segunda-feira, 179 participações através do portal Participa.

As minas da Borralha abriram em 1903, encerraram em 1986 e chegaram a ser um dos principais centros mineiros de exploração de volfrâmio em Portugal.

A empresa quer explorar tungsténio e, adicionalmente, produzir concentrados de cobre e de estanho numa área que tem como aldeias mais próximas a Borralha, Caniçó e Paredes de Salto.

De acordo com o resumo não técnico, a Minerália – Minas, Geotecnia e Construções Lda. propõe uma exploração subterrânea, durante um período de 15 anos.

O movimento contextualizou que a mina da Borralha se situa na freguesia de Salto, a dois quilómetros da barragem de Venda Nova, integrada no sistema hidrográfico do rio Cávado e Rabagão que abastece de água potável milhares de pessoas do Norte do país.

Localiza-se ainda, acrescentou, a cerca de seis quilómetros dos limites do Parque Nacional Peneda Gerês, em plena Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés e é parte integrante do Barroso classificado como Património Agrícola Mundial.

Na semana passada, a APA realizou ‘online’ uma sessão de esclarecimentos sobre o projeto.

O movimento considerou que a “sessão evidenciou graves incongruências entre o EIA, as declarações do promotor e as observações técnicas e sociais locais”, destacando a “falta de dados sobre metais radioativos e risco radiológico, contradições quanto ao modelo de exploração (subterrâneo ou híbrido), fragilidades nos estudos de segurança e estabilidade estrutural das galerias antigas, a ausência de metodologia transparente no estudo sociológico e a falta de confiança da população e entidades locais no processo”.

De acordo com esta organização que se opõe à exploração mineira, durante a sessão a empresa terá garantido que “irá limpar todo o passivo ambiental atualmente existente antes da ativação e tratar todos os resíduos durante a exploração mineira, salvaguardando os recursos hídricos”, no entanto, segundo o movimento, está a ser “planeada uma nova área de resíduos de 12 hectares, o que levanta a questão de como o problema de resíduos ‘é resolvido’".

Uma outra preocupação é a desocupação de habitações na área próxima à mina e os impactes no lobo-ibérico.

O movimento apelou ainda à participação na consulta pública em curso do EIA que foi inicialmente considerado “não conforme” e complementado posteriormente.

No verão de 2021 realizou-se uma marcha lenta de protesto contra a exploração na Borralha e, em 2024, a associação Povo e Natureza do Barroso alertou que as sondagens estavam a decorrer em terrenos alegadamente poluídos por metais pesados, acusação classificada como falsa pela Minerália.

+ notícias: Norte

Menezes defende mais valências no Hospital de Gaia por causa do trânsito no Porto

O presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Luís Filipe Menezes, defendeu esta sexta-feira para o hospital local o aumento das valências, argumentando que os problemas de mobilidade na vizinha cidade do Porto o aconselham.

Caso Vórtex. Ministério Público pede penas de 5 a 9 anos de prisão para dois ex-autarcas de Espinho

O Ministério Público (MP) pediu penas entre os cinco e nove anos de prisão para os ex-presidentes da Câmara de Espinho Miguel Reis e Pinto Moreira por suspeitas de corrupção no processo Vórtex.

IPSS de Vila Verde aumenta salário mínimo em 2026 para 90 euros acima do nacional

O Centro Social Vale do Homem (CSVH), sediado no concelho de Vila Verde, distrito de Braga, vai ter em 2026 um ordenado mínimo interno de 960 euros, 90 euros acima do salário mínimo nacional, indicou a Instituição.