Operação Marquês. Advogado oficioso vai "tentar falar" com Sócrates sobre o que fazer a seguir

Operação Marquês. Advogado oficioso vai "tentar falar" com Sócrates sobre o que fazer a seguir
| País
Porto Canal/Agências

O advogado oficioso nomeado para representar José Sócrates na Operação Marquês lamentou, esta terça-feira, que não lhe tenha sido permitido conhecer o processo, adiantando que irá tentar falar com o antigo primeiro-ministro para decidirem os próximos passos.

"Eu entendo que teria sido melhor para a nossa defesa ter-nos sido concedido o prazo de 48 horas. Agora vamos analisar o que realmente foi produzido em tribunal e, depois, tentarei falar com o senhor engenheiro José Sócrates e veremos o que é que podemos fazer a seguir", disse, à saída da pausa para almoço, José Ramos.

O advogado que acompanhava José Sócrates desde que este foi detido em novembro de 2014, Pedro Delille, renunciou esta terça-feira ao mandato para representar o antigo primeiro-ministro (2005-2011) na Operação Marquês, justificando a decisão com "razões deontológicas" e falando num "simulacro de julgamento".

Como o julgamento não pode decorrer sem que todos os arguidos tenham um defensor, o tribunal ordenou a nomeação de um advogado oficioso, habitualmente destinado a representar arguidos com carência económica.

Na sua primeira intervenção, José Ramos - que desconhece quer o processo Operação Marquês quer José Sócrates - pediu 48 horas para se inteirar sobre o que está em causa, pedido que foi rejeitado pela presidente do coletivo de juízes, Susana Seca, por se tratar de um processo urgente.

O julgamento prosseguiu, tendo sido ouvidas duas testemunhas: uma ex-secretária e um antigo ministro das Finanças do ex-governante.

José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados.

O julgamento decorre desde 3 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e tem sessões agendadas pelo menos até 18 de dezembro de 2025.

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