Aberto processo de classificação de pintura "Fons Vitae" da Misericórdia do Porto

Aberto processo de classificação de pintura "Fons Vitae" da Misericórdia do Porto
| Porto
Porto Canal/ Agências

O procedimento de classificação como bem móvel de interesse nacional da pintura quinhentista “Fons Vitae”, atribuída a Colijn de Coter e propriedade da Santa Casa da Misericórdia do Porto, foi publicado esta quinta-feira em Diário da República.

A classificação da pintura a óleo sobre madeira de carvalho “Fons Vitae” (“Fonte da Vida”), datada do primeiro quarto do século XVI, visa a proteção e valorização de “um valor cultural de significado relevante para a nação”, lê-se no anúncio.

De acordo com informação disponível no ‘site’ da Santa Casa da Misericórdia do Porto, o quadro é testemunha “da pujança da cidade e das suas ligações ao norte da Europa, no século XVI”.

Com autoria atribuída a Colijn de Coter (c1440-c1522), é um quadro de grande dimensão (267x210 centímetros), pintado a óleo sobre madeira de carvalho.

O tema da fonte, central na pintura, teve grande difusão na época medieval no norte e centro europeu, ligando-se ao "Juízo Final", estando associado ainda ao culto do "Santo Sangue" e, a partir deste, a muitas outras variantes que colheram grande recetividade devocional, como o culto do "Santo Lenho e da Vera Cruz", refere a Santa Casa.

De acordo com a Misericórdia do Porto, “dois importantes temas iconográficos convergem no ‘Fons Vitae’: no plano terreno, a iconografia régia de D. Manuel I, sendo esta, porventura a única obra existente em que o monarca é retratado com os atributos inerentes à sua ideologia política e quadro espiritual, e no plano celeste, o tema do ‘Calvário’ associado ao da ‘Fonte da Vida e da ‘Piedade’, sendo que o escudo de armas português incluiu a cruz de Cristo e as cinco chagas”.

Dada “a complexidade do tema” e a sua associação à ideologia régia, a pintura poderá ter sido encomendada na Flandres para a Misericórdia do Porto.

“Seguramente, a encomenda foi realizada por alguém ligado à Misericórdia que frequentava o círculo mais íntimo do monarca”, sustenta a instituição.

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