Porto Design Biennale inicia 4.ª edição na quinta-feira sob o mote "tempo é presente"
Porto Canal/Agências
O projeto “New Diner”, desenvolvido para o restaurante solidário da Baixa, no Porto, pela ‘designer’ francesa Matali Crasset, é uma das propostas da Porto Design Biennale que arranca na quinta-feira em diversos espaços das cidades do Porto e Matosinhos.
A intervenção da ‘designer’ francesa transforma o espaço do restaurante solidário em quiosque-instalação que promove a convivialidade, o encontro e a partilha, enquanto desafia a ideia habitual de refeição acessível.
A apresentação do projeto, agendada para sexta-feira, inclui um almoço performativo conduzido pela arquiteta e ‘food-designer’ Anna Puigjaner, que convida os participantes a viver a refeição como ritual coletivo, entre design, gastronomia e comunidade.
A 4.ª edição da Porto Design Biennale, com curadoria das designers italianas Angela Rui e Matilde Losi e, a nível local, com Eleonora Fedi, arranca na quinta-feira com a inauguração de uma exposição, no âmbito de um programa que visa “atuar sobre o território e comunidade local”.
“O Tempo é Presente. Inventar o Comum” é o tema desta quarta edição do evento que se realiza nas duas cidades, através de um processo de reflexão acerca dos espaços coletivos, propondo-se “um uso recreativo do tempo e do presente através do design”.
Em declarações à Lusa, a curadora local da bienal, a designer Eleonora Fedi, explicou que são três projetos no Porto e três projetos em Matosinhos que foram desenvolvidos com associações, ‘designers’ e comunidades locais.
“São processos muito longos, temos trabalhado com estas pessoas desde janeiro, com sessões de voluntariado, com muitas sessões em conjunto. Estes projetos locais têm esta particularidade, ouvir, escutar, estar com as pessoas, passar muito tempo com elas e com estas equipas alargadas, para também perceber como é que o design funciona como um instrumento que pode realmente ajudar-nos a viver este tempo em comum”, sustentou.
Um outro projeto destacado é uma proposta para o redesenho do Parques Soares dos Reis, no Bonfim, que vai ser implementado pela Câmara do Porto.
“São projetos que querem ser muito permanentes. Aqui nós estamos a usar o slogan ‘Perhaps Forever’ [‘talvez para sempre’]. Porque muitos destes projetos vão funcionar se as pessoas se apropriarem do espaço”, salientou Eleonora Fedi.
O tema “O Tempo é Presente. Inventar o Comum” é também o mote de uma exposição-manifesto que apresenta uma variedade de iniciativas de design e formatos inovadores, organizados de acordo “com o fator comum mais participativo: as nossas emoções”.
A mostra, que é inaugurada na quinta-feira e ficará patente na Casa do Design em Matosinhos até março de 2026, é composta por uma seleção que dá voz a mais de 60 autores de projetos nacionais e internacionais que refletem sobre a necessidade das comunidades.
A exposição revela “a forma como os ‘designers’ priorizam coletivamente as dimensões relacionais, colaborativas e qualitativas da experiência partilhada em detrimento da lógica extrativa do capitalismo contemporâneas”.
Esta abordagem afetiva estende-se também aos formatos editoriais como em “Paralaxes: Histórias do Comum”, uma coleção de textos que procura revelar possibilidades de resistência e alegria.
Os focos principais da edição deste ano são as intervenções que se desenvolvem em espaços públicos e/ou comunitários, selecionados a partir de projetos locais de autarquias, associações, cooperativas e movimentos.
Estas intervenções, dirigidas por equipas de designers locais e internacionais, desenvolveram diferentes atividades e projetos que têm como objetivo a permanência na comunidade.
“Chamamos a estas intervenções ‘Happisodes’ porque têm uma função generativa e desejamos que todas representem alegria, esperança e cuidado coletivo na construção do Comum”, explicou a curadora.
Os ‘Happisodes’ são projetos entre ‘designers’, comunidades e municípios que materializaram, no Porto e em Matosinhos, “a alegria de reconhecer coletivamente que o presente pode ser reimaginado. São processos vivos, habitados, onde o design dá forma ao comum”.
Na bienal será ainda lançada, com a curadoria de Andreia Faria, uma coleção de ensaios e ficções especulativas que partem dos projetos escolhidos como tendo um “potencial de resistência e alegria”.
Já a Comunoteca - uma programação pública - irá acolher grupos de leitura, apresentações, debates e passeios, iniciativas organizadas pela ‘designer’ e editora Nina Paim, onde se pretende explorar o trabalho, o sindicalismo, a organização e o cooperativismo.
O evento, promovido em colaboração entre os municípios de Porto e Matosinhos e organizado pela esad-idea, Investigação em Design e Arte, procura ser uma plataforma de diálogo entre a sociedade civil, a academia, a indústria, instituições e agentes culturais nacionais e internacionais.
