João Azevedo retoma multiúsos e abandona centro de artes de Viseu
Porto Canal/Agências
O presidente eleito da Câmara de Viseu, João Azevedo (PS), garantiu esta quinta-feira que avançará com a requalificação do pavilhão multiúsos e abandonará a criação do Centro de Artes e Espetáculos (CAEV) desejado pelo seu antecessor, Fernando Ruas (PSD).
Em entrevista à agência Lusa, João Azevedo disse que o seu executivo manterá todos os projetos que considerar importantes para o desenvolvimento do território, mas esquecerá aqueles que não tenham viabilidade económica, como o CAEV.
“Não tem orçamento, não tem financiamento público e não tem projeto”, sublinhou o novo presidente, explicando que, quando tomar posse, o seu executivo irá direcionar o esforço financeiro “para a reabilitação do multiúsos, que tem de ser uma verdadeira arena”.
O objetivo é “democratizar o multiúsos para a educação, a formação, a cultura, o recreio, o turismo, o lazer” e para conseguir ter na cidade “grandes produções”, evitando que os viseenses as tenham de ir ver a outras cidades.
“Viseu tem que ser também um centro geodésico do investimento na área da cultura, do recreio, do lazer, do turismo, da formação, da educação”, frisou.
João Azevedo retoma assim uma ideia de Almeida Henriques (PSD), que foi deixada de parte por Fernando Ruas quando voltou à Câmara em 2021.
Em 2013, depois de ter estado 24 anos no poder, Fernando Ruas apontou a construção do centro de artes como uma das obras que gostaria de ter feito antes de sair.
Almeida Henriques sucedeu a Fernando Ruas e fez uma opção diferente, tendo, em agosto de 2020, aprovado o financiamento do Viseu Arena (que representava um investimento total de 6,4 milhões de euros), para que a cidade pudesse vir a ter a maior sala de espetáculos e recinto multiúsos do centro do país.
No entanto, com o regresso de Fernando Ruas após as eleições de 2021, a solução para resolver a lacuna de uma grande sala de espetáculos na cidade voltou a mudar. O executivo decidiu não transformar o pavilhão multiúsos no Viseu Arena e optou por reapreciar o projeto já existente para o centro de artes.
Mas, na opinião de João Azevedo, o pavilhão multiúsos não pode “continuar parado” e com pouca utilização e questionou: “quem é que se lembra da utilização do multiúsos a não ser nas iniciativas desportivas, algumas, muito poucas, no encontro da área da educação, nalguns finais de ano e no encontro do conservatório [de música]?”
Para que possa ter mais uso, “tem que haver algum investimento para melhorar as condições acústicas, estruturais, de conforto e de ampliação”, acrescentou.
No início de agosto, a Câmara de Viseu apresentou publicamente o projeto do CAEV, que teria 1.765 lugares sentados em dois espaços distintos e que, segundo Fernando Ruas, se encontrava no gabinete técnico do município para depois ser aprovado pelo executivo.
Questionado na altura sobre a possibilidade de a obra não avançar na sequência dos resultados destas autárquicas, Ruas afirmou: “se não arrancar por algum motivo, quem assumir a Câmara também assumirá as responsabilidades por falharem com compromissos”.
“Como é que é possível alguém achar que podia ser feito um centro de artes e cultura em Viseu, anunciado com pompa e circunstância, quando não tinha financiamento nenhum europeu, nenhum financiamento do Orçamento de Estado, não tinha nada?”, questionou esta quinta-feira João Azevedo na entrevista à Lusa.
Nas eleições autárquicas de domingo, o PS venceu a Câmara de Viseu com mais 799 votos do que o PSD. Os socialistas conquistaram 42,28% do eleitorado (24.095 votos), obtendo assim quatro mandatos.
Na oposição ficou o PSD, também com quatro mandatos, ao conseguir 40,88% (23.296 votos), e o Chega elegeu um lugar com 8,53% (4.859 votos) dos 56.989 votantes, num universo de 92.583 inscritos.
