João Azevedo recusa Douro e Paiva e quer gestão com Águas de Viseu
Porto Canal/Agências
O presidente da Câmara de Viseu eleito no domingo, João Azevedo (PS), assumiu esta quinta-feira que o abastecimento de água será feito por um sistema multimunicipal gerido pelas Águas de Viseu, recusando a empresa do Douro e Paiva.
“Nós temos de defender os interesses dos viseenses e, defender é utilizar aquilo que temos aqui há anos, com qualidade, com serviços técnicos de qualidade. Uma coisa que dá lucro, dá saldo positivo, com qualidade e eficiência. O que nós queremos é a barragem de Fagilde feita”, afirmou João Azevedo.
A pensar nessa obra, foi assinado, em 15 de julho, um protocolo que transferiu a propriedade da atual barragem da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para o grupo Águas de Portugal (AdP).
Na altura, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, disse que estava lançado “definitivamente o processo que levará, dentro de sensivelmente quatro anos, à inauguração de uma nova barragem de Fagilde”, a jusante da atual.
“O governo português, o Estado tem de fazer a nova barragem” e resolve “os problemas todos da região”.
Em entrevista à agência Lusa, João Azevedo vincou que essa obra também tinha a sua execução garantida pelo governo socialista liderado por António Costa.
“A atual senhora ministra do Ambiente [e Energia] vai cumprir, não tenho dúvidas nenhumas disso”, asseverou.
O novo presidente da Câmara de Viseu dispensou, assim, o abastecimento gerido pela empresa Águas do Douro e Paiva, aprovado pelo executivo anterior, liderado por Fernando Ruas (PSD) e pela Assembleia Municipal, em 30 de junho.
O modelo de gestão será pelas Águas de Viseu, empresa plurimunicipal que integra os municípios abastecidos pela barragem de Fagilde: Viseu, Mangualde, Nelas, Penalva do Castelo e Sátão, sublinhou.
“Nós vamos recuperar o documento que foi aprovado em 2019/20. É esse documento que vamos recuperar”, indicou João Azevedo referindo-se à constituição da empresa Águas de Viseu, em 02 de julho de 2020, que previa um investimento de 45,7 milhões de euros até 2027 para captar, tratar, aduzir, reservar e fornecer água aos cinco concelhos.
Questionado se os restantes autarcas estarão de acordo, João Azevedo disse que tem a convicção de que “todos os presidentes de Câmara querem o melhor para os [seus] territórios”.
“Com diálogo vamos chegar a consenso e vamos chegar a um processo em que estaremos todos unidos. Nós estamos à procura dessa unidade”, notou.
O modelo de gestão aprovado por Fernando Ruas, através das Águas do Douro e Paiva, tem “uma providência cautelar, apresentada pela Câmara Municipal de Mangualde, que está em processo”, ou seja, “é esperar” para ver o resultado.
A autarquia de Mangualde, presidida por Marco Almeida (PS), apresentou a providência cautelar para suspender a eficácia da deliberação da Assembleia Municipal de Viseu, alegando que Viseu agiu como se fosse sua única proprietária.
“Nós entendemos que a ETA [estação de tratamento de águas] de Fagilde não é da Câmara de Viseu, é um bem comum dos municípios de Viseu, Mangualde, Nelas e Penalva do Castelo”, sustentou, em 1 de outubro, Marco Almeida, considerando que tinham de ser ouvidos “os outros municípios que integram um sistema de abastecimento de água que tem 45 anos”.
A providência cautelar deixou “tudo suspenso” e, por isso, “a Câmara de Viseu está completamente proibida de avançar com o que quer que seja relativamente a esta questão, enquanto não forem pedidas informações a todos os municípios” envolvidos.
Nas eleições autárquicas de domingo, o PS venceu a Câmara de Viseu com mais 799 votos do que o PSD. Os socialistas conquistaram 42,28% do eleitorado (24.095 votos) obtendo assim quatro mandatos.
Na oposição ficou o PSD, também com quatro mandatos, ao conseguir 40,88% (23.296 votos); e o Chega elegeu um lugar com 8,53% (4.859 votos) dos 56.989 votantes, num universo de 92.583 inscritos.
