Presidente de Paredes diz não haver incompatibilidades com negócios imobiliários
Porto Canal/Agências
O presidente da Câmara de Paredes, distrito do Porto, negou esta quarta-feira existir “qualquer incompatibilidade” do cargo que ocupa com negócios imobiliários, sublinhando que “é apenas sócio, não gerente” da sociedade que comprou dois imóveis.
“Não há qualquer incompatibilidade, Alexandre Almeida é apenas sócio da empresa, não é o gerente, como tal, não há qualquer interferência com as decisões que toma na autarquia”, lê-se na resposta enviada à agência Lusa pelo município liderado pelo autarca e recandidato do PS às eleições autárquicas de 12 de outubro.
A revista Sábado noticia que os negócios imobiliários de Alexandre Almeida estão sob suspeita, nomeadamente a compra de dois apartamentos (T3) por 206 mil euros, e a venda de um deles, no mesmo dia, por 222.500 euros. Segundo a revista, o autarca mantém-se, desde 2013, como sócio de uma empresa imobiliária, a Didalma, constituída com a sua ex-mulher, a qual passou de 123 euros de resultados líquidos em 2022 para cerca de 200 mil euros em 2024, registando 460 mil euros em vendas e prestações de serviços.
O município de Paredes refere ainda que “não é verdade que os apartamentos tenham sido comprados e vendidos no mesmo dia”, acrescentando que “os dois apartamentos foram comprados por contrato promessa de compra e venda” em 13 de janeiro de 2020, “quando o edifício estava em construção, ao valor de mercado da altura”.
Segundo a câmara, os dois apartamentos “foram depois vendidos, concluída a construção, em 2024, ao preço de mercado”, defendendo que, “se fossem comercializados, hoje, teriam valorizado e poderiam ser vendidos pelo valor de mercado superior a 250 mil euros”.
Na resposta à Sábado, Alexandre Almeida disse que ambos os imóveis foram “comprados por contrato promessa de compra e venda (CPCV)” em 13 de janeiro de 2020, ainda “o edifício estava em construção”. Nesta data, já Alexandre Almeida era presidente do município (foi eleito pela primeira vez em 2017) e o promotor imobiliário estava dependente de decisões camarárias.
O CPCV refere que o projeto de arquitetura do empreendimento ainda aguardava aprovação municipal, enquanto um relatório da própria autarquia - relativo à 2.ª revisão do Plano Diretor Municipal - indica que o processo camarário, identificado pelo número 179/19LI, teve alvará emitido a 11 de novembro de 2020.
Na sequência da notícia da Sábado, as concelhias do PSD e do CDS-PP de Paredes pediram a demissão imediata do presidente do município e recandidato do PS nas eleições autárquicas “por negócios imobiliários milionários” de Alexandre Almeida.
“Na Sábado, conta-se que num só dia Alexandre Almeida ganhou mais de 100 mil euros com a compra e venda do mesmo apartamento, o que ficou registado em notário. Pior, que o autarca comprou o apartamento em causa ao construtor ainda antes de a obra estar licenciada, o que dependia de si e do seu executivo, ganhando, depois, com a mais-valia milionária”, apontam as comissões políticas concelhias do PSD e do CDS-PP de Paredes.
Os dois partidos lembram, em comunicado, que, “ao longo dos últimos anos, têm vindo a fazer notar a opacidade [de] como o atual Plano Diretor Municipal (PDM) foi revisto e como isso favoreceu uns em detrimento de outros”.
“Alexandre Almeida, já depois de ter tomado posse, atuou no ramo imobiliário, abriu empresas no setor da contabilidade e não só passou a transacionar imóveis em valores milionários, como obteve mais-valias escandalosas”, acusa a coligação PSD/CDS-PP.
Face à posição assumida pela coligação PSD-CDS-PP, a Câmara de Paredes lembra que “a transação imobiliária realizou-se em 2024”.
“A candidatura do PSD/CDS só agora abordou o assunto para levantar suspeitas na campanha eleitoral. Só se percebe isso, porque há eleições autárquicas e querem passar uma ideia completamente falsa da realidade”, acusa o município liderado por Alexandre Almeida.
