Um ex-secretário de Estado e um ex-autarca “histórico” entre as 8 candidaturas a Gaia

Um ex-secretário de Estado e um ex-autarca “histórico” entre as 8 candidaturas a Gaia
Foto: CM Vila Nova de Gaia
| Norte
Porto Canal/Agências

A Vila Nova de Gaia, entre partidos que se estreiam no terceiro maior concelho do país e coligações inéditas, concorrem um ex-secretário de Estado e um “histórico” ex-autarca, num total de oito candidaturas às autárquicas de outubro.

Pelo PS, e com o apoio do PAN (Pessoas–Animais–Natureza), o primeiro candidato a tornar pública a candidatura foi o ex-secretário de Estado da Juventude e do Desporto João Paulo Correia, socialista que entre 2013 e 2022 liderou a União de Freguesias de Mafamude e Vilar do Paraíso, em Vila Nova de Gaia.

Avançou já com a promessa de criar, até 2029, mais de 1000 habitações com foco no arrendamento acessível, substituir o operador de transportes públicos Unir, reduzir a Taxa de Imposto Municipal (IMI) para o mínimo legal e extinguir a taxa das rampas e da Proteção Civil.

Pela CDU vai concorrer o investigador e artista André Araújo que já apontou como prioridades a resolução do “problema” do transporte público rodoviário no concelho, defendendo a operação da STCP em substituição da Unir.

O candidato da coligação PCP/PEV também tem na sua agenda de prioridades a redução da fatura da água, que diz estar a subir “nas taxas e taxinhas dos resíduos sólidos urbanos, ao mesmo tempo que a recolha está num ponto inaceitável no que diz respeito às limpezas e salubridade das ruas e dos contentores cheios”.

Já pelo Volt, apresentou-se Daniel Gaio, licenciado em Línguas e Relações Internacionais pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e gestor de parcerias que traçou como objetivo fomentar o potencial do concelho para que deixe de ser “um pequeno dormitório do Porto".

A ambição é criar incentivos e reabilitar edifícios camarários para arrendamento acessível a empresas e, em matéria de habitação, o candidato pretende criar cooperativas de habitação para ajudar a reduzir o valor dos preços não só no centro da cidade, mas em todas as freguesias.

Já com o apoio do pelo PSD, CDS-PP e IL, volta à corrida em Gaia o histórico Luís Filipe Menezes, antigo autarca gaiense que presidiu à Câmara de Vila Nova de Gaia de 1997 a 2013, ex-presidente do PSD, que chegou a candidatar-se ao Porto em 2013.

Entre várias medidas, Menezes já garantiu que, se for eleito, avançará com a construção de 4000 casas de renda acessível e controlada, das quais 40% no centro e sul do concelho, quer o regresso do acesso automóvel livre ao tabuleiro inferior da Ponte Luís I, uma “alternativa viável” à rede de autocarros Unir, redesenhar o mapa dos centro de saúde em e dotar o hospital de melhores condições.

Soma-se a candidatura do professor João Martins, deputado municipal desde 2021 que encabeça a coligação inédita que junta Bloco de Esquerda e Livre e já avançou que tem como prioridade a habitação, “ou melhor, a habitabilidade”, sem esquecer os problemas de mobilidade.

O cabeça de lista da “Bloco+Livre+…” também quer criar a figura do Provedor do Munícipe, por considerar “urgente” que “os munícipes possam ter alguém com quem dialogar, a quem possam manifestar os seus descontentamentos”.

Pelo ADN, será candidato o consultor de gestão industrial Rui Sequeira, que avançou como prioridades resolver “o descontrolo da imigração”, bem como os problemas de mobilidade, habitação e sociais.

Para o coordenador da concelhia de Gaia e membro da distrital do Porto do ADN, a realidade atual de Gaia é “muito difícil” para quem ali vive, porque “se as coisas estão dimensionadas a nível local para uma população, a agravante da entrada de muitos imigrantes, muitos deles ilegais, leva a outros temas como o acesso à habitação, ao ensino logo no pré-escolar, etc.”.

A sétima candidatura a ter sido tornada pública foi a do coordenador da Concelhia do Chega, António Barbosa, que se candidata com o objetivo de baixar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e o preço da água “para permitir que as pessoas tenham mais poder de compra”.

Além destas medidas, António Barbosa diz priorizar as áreas da saúde, habitação, mobilidade e ambiente e, a título de exemplo, referiu que as pessoas têm muitas queixas sobre o funcionamento dos transportes públicos em Vila Nova de Gaia, nomeadamente no que diz respeito a horários.

Por fim, apresentou-se, pelo Partido Liberal Social, a gestora Catarina Costa, para quem a descentralização “tem de ser um dos principais temas da campanha” e que garantiu que, apesar de ser a primeira vez que este partido apresenta candidaturas autárquicas, vêm com “vontade de trabalhar”.

À Lusa, disse que o programa à autarquia de Gaia está a ser “construído em conjunto” com o programa que o partido vai apresentar para a cidade do Porto, porque são “cidades que se complementam”.

O executivo municipal é composto por 11 lugares, tendo o PS nove e o PSD dois. A Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia é presidida pelo socialista Albino Almeida que é também presidente da Associação Nacional de Assembleias Municipais. O PS lidera a Assembleia Municipal com maioria, tendo 16 deputados, aos quais se soma o Grupo Municipal de Presidentes de Junta de Freguesia do Partido Socialista com 15 elementos. Já o PSD tem cinco deputados, o CDS-PP, CDU e Bloco de Esquerda dois cada, enquanto Chega, PAN e IL um cada.

As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.

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