Teatro do Bolhão produz espetáculo com imigrantes em fábrica desativada de Vale de Cambra

Teatro do Bolhão produz espetáculo com imigrantes em fábrica desativada de Vale de Cambra
| Norte
Porto Canal/Agências

O Teatro do Bolhão apresenta, sexta-feira e sábado, em Vale de Cambra, um espetáculo que, entre 334 atores e figurantes, leva 50 imigrantes à antiga fábrica de laticínios Martins & Rebello para aí explorar temas como guerra, miséria e solidariedade.

Intitulada “Palcos do Mundo – Fábrica”, esta produção comunitária inédita foi concebida por encomenda da ADRIMAG - Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Serras de Montemuro, Arada e Gralheira e, além da autarquia local, envolve ainda os municípios de Arouca e Castelo de Paiva, também do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.

João Carlos Pinto, coordenador executivo da ADRIMAG, diz que esta segunda produção na fábrica desativada da Martins & Rebello foi inspirada pela frase do Papa Francisco “Somos todos imigrantes. Ninguém tem morada fixa nesta terra”, e recorre às artes performativas para integrar a comunidade migrante, na convicção de que “a arte tem o poder de unir comunidades, aproximar vizinhos e abrir portas”.

“É um momento feito com e para a comunidade, que honra a memória coletiva e, ao mesmo tempo, acolhe quem chega de fora e escolhe os nossos territórios para viver”, defende.

O encenador e ator Miguel Hernandez é o diretor artístico do espetáculo, que começou a ser preparado em abril e, além da dramaturgia, também envolve cenários, adereços e figurinos próprios, para melhor potenciação de um enredo que visa “a valorização e o respeito pelos imigrantes, bem como a denúncia dos problemas e atrocidades que enfrentam na atualidade”.

“O espetáculo inspira-se nos profundos desafios ligados à imigração e aos milhares de refugiados que marcam o mundo atual”, declara Miguel Hernandez à Lusa. “Procuramos, através da aproximação a diferentes culturas, despertar a consciência, a compreensão e o entendimento entre os povos, para que juntos possamos trilhar um caminho de esperança rumo a uma humanidade mais sensível e responsável”, explica.

Nesse esforço, o encenador admite que foi particularmente exigente lidar com a dimensão e os diferentes graus de experiência da equipa envolvida, que integra 81 atores profissionais, 253 amadores e ainda 37 técnicos.

“Essa complexidade representa um desafio que exige um grande empenho, dedicação e a superação diária de obstáculos. Mas, ao mesmo tempo, traz-nos uma enorme satisfação perceber que todo esse processo é transformador para a vida das pessoas envolvidas, promovendo o que há de melhor no que a cultura pode oferecer”, garante.

Mehreen Yasir é paquistanesa, vai ter um monólogo no espetáculo e reconhece que a sua participação no projeto tem feito diferença.

“Viemos para Portugal para que os nossos filhos pudessem ter uma boa educação e eles estão a recebê-la, mas é uma verdadeira luta para nós. O meu marido é o único que trabalha e é muito difícil sobreviver, porque não há escolas de Português para estrangeiros aqui em Vale de Cambra”, começa por contar.

Os transportes públicos indispensáveis para quem não possui carro também “são muito caros” e inibem-lhe tanto os afazeres quotidianos como a fuga à rotina. Consequência: “Como não conseguimos ir a lado nenhum para aprender a língua, sentimo-nos presos aqui”.

O projeto da ADRIMAG, em contrapartida, permitiu-lhe conhecer “muitas pessoas de diferentes países” e deu-lhe um novo ânimo.

“Foi muito bom conhecer toda a gente, são todos muito simpáticos e, pelo menos, temos um local onde podemos defender os nossos direitos. Caso contrário, parece que os imigrantes não são humanos nem existem, mesmo que estejam a ajudar este país", disse Mehreen Yasir à Lusa. "Por isso é que o projeto é muito bom e devia haver mais assim - para que os imigrantes sejam reconhecidos e não sejam tratados de forma injusta”.

Nos dois dias de exibição do espetáculo “Palcos do Mundo – Fábrica”, as portas abrem às 18h30, convidando o público para o que a organização define como “uma verdadeira festa, onde será possível saborear a gastronomia de diferentes lugares do mundo” e também apreciar uma exposição sobre imigração, em que se incluem projeções com depoimentos de imigrados.

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