Instalação “VAZIO.” questiona obras, gentrificação e habitação no Porto

Instalação “VAZIO.” questiona obras, gentrificação e habitação no Porto
| Porto
Porto Canal/Agências

A instalação “VAZIO.” coloca o espectador no centro de um cenário de obras, numa exposição coletiva na Associação Cobalto que é inaugurada sábado e reflete sobre as constantes obras no Porto e a crise habitacional no centro da cidade.

Inaugurada sábado pelas 16h00, no âmbito do programa Circuitos, da Galeria Municipal do Porto, esta criação coletiva da Cobalto aproveita o jogo gráfico que estabelece com a imagem de marca da cidade do Porto para lhe refletir os últimos anos de mudança.

Naquele espaço cultural na Rua de São Brás, nas traseiras da Igreja da Lapa, o espectador é colocado no centro “imersivo” de uma obra, com painéis de plástico que cobrem todo o espaço, tornando-o confuso e desprovido de decoração ou outras marcas identificativas, colunas que projetam incessantemente o ruído de obras, baldes de tinta que servem de bancos, fotografias da cidade em transformação e ainda dois trabalhos de vídeo.

“Esta exposição surgiu porque fomos percebendo o crescimento enorme das obras no centro do Porto. Começaram a condicionar o nosso percurso, o nosso dia a dia quotidiano, a andar a pé. Os passeios e ruas cortados, o barulho constante. Interfere tanto no nosso trabalho como na qualidade de vida”, conta à Lusa a presidente da Associação Cobalto, a artista plástica Ana Pinho.

Além desse espaço desprovido de identidade, mas recheado de ruído e uma sensação constante de demolição, pretende-se aqui “desconstruir o que é isto da crise da habitação”.

“Não é só o espaço vazio, como transformarmos a Cobalto num espaço vazio, desprovido de decorações, como um completo cenário de obras, mas também uma espécie de vazio interior que sentimos, ao ver o Porto a transformar-se a ritmo alucinante. É muito triste ver pessoas morar todas as suas vidas nas casas e ilhas e serem expulsas. Temos um exemplo disso mais acima na rua”, critica.

Nas vídeo-projeções, maquetes criadas por Luís Martins mostram maquetes de hotéis e alojamentos locais a serem progressivamente destruídos, enquanto as fotografias apresentam espaços abandonados, em obras, ou outros cruzados com graffiti e até paredes, tapadas, cobertas entretanto de cartazes de ordem para manifestações, sinais de alojamentos locais e outras ‘paisagens’ da cidade.

“A ideia é a pessoa entrar num espaço imersivo e sentir um desconforto, incómodo. É um espaço claustrofóbico em que não se discerne a entrada ou saída. [...] Também porque os espaços que temos para habitar são cada vez mais pequenos”, afirma Ana Pinho.

Pelo chão, “como se alguém tivesse entrado e as atirasse”, estão cópias de um manifesto assinado pela Cobalto sobre a crise da habitação em Portugal, que as pessoas podem levar para casa, assim como as fotografias dessas mudanças.

“Morando nós ou trabalhando no centro do Porto, foi espoletada essa vontade de mostrar esta triste realidade que atravessamos. Parece que o Porto se está a vender ao turismo e que a gentrificação acaba a ser mais importante do que a qualidade de vida das pessoas, sejam nativos ou imigrantes”, lamenta.

Segundo Ana Pinho, de 29 anos, a Associação Cobalto nasceu, em janeiro de 2024, da Oficina Cobalto, já a trabalhar desde 2019, e tem trabalhado entre a criação, a formação e a apresentação de exposições, performances e outros eventos, reforçando que é um espaço “inclusivo” quer para público quer para criadores.

A presidente da associação critica a falta de apoios para espaços mais pequenos, sobretudo mais distantes da tradicional zona de arte da cidade, no quarteirão de Miguel Bombarda, numa fase em que procuram resistir e abrir-se a mais parcerias e intensificar a programação.

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