O olhar curioso de um jovem fotógrafo
Inês Saldanha
Esta terça-feira assinala-se o Dia Mundial da Fotografia e, para marcar a data, o Porto Canal entrevistou Diogo Sousa, um jovem fotógrafo freelancer, de 25 anos, que encontrou na fotografia uma forma de explorar o mundo e a si próprio.
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O gosto surgiu ainda no secundário, de forma casual, com o telemóvel. Seguiu inicialmente Engenharia Informática, mas não chegou a concluir o curso. Desde criança tocava piano e tentou ainda ingressar na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), mas acabou por enveredar por outro caminho.
A primeira câmara comprou-a no final de 2021, mas foi em 2022 que começou a fotografar “mais a sério”, com especial foco na fotografia de rua. “Ao tentar perceber mais sobre fotografia por mim, investigar e estudar, comecei a conhecer alguns fotógrafos, principalmente mais ligados à área do fotojornalismo, à área documental, e surgiu daí a paixão”, contou.
Decidiu então ingressar no Instituto Português de Fotografia (IPF), onde concluiu o curso este ano. Atualmente, assume como principais referências Josef Koudelka, Tito Mouraz e Max Pinckers, fotógrafos que o inspiram a refletir sobre “a verdade da fotografia”.
“Nós vemos a fotografia quase como um facto, não é? Portanto, é uma chapa e nós olhamos para uma foto como se fosse uma verdade absoluta, mas a verdade em si é que uma fotografia pode ser uma mentira. Ou pode ser alterada para ser uma mentira”, considerou. Para o jovem freelancer, “o que a fotografia nos apresenta é limitado”.

Atualmente, Diogo Sousa dedica-se sobretudo à fotografia documental, embora também realize trabalhos comerciais. Nos seus projetos pessoais, mergulha em temas familiares, como a oficina mecânica do pai, mas também em questões sociais e culturais, como o oculto, as crenças populares ou problemas políticos.
“Sempre fui curioso, quando não conheço alguma coisa sobre um assunto, tenho por norma ir pesquisar. A fotografia documental permite-me, de certa forma, fazer isso com uma câmara na mão”, notou.
A fotografia, afirma, permitiu-lhe também descobrir aspetos sobre si próprio e sobre a forma como vê o mundo.
“Eu sou uma pessoa muito tímida e muito fechada, ou seja, tenho muita dificuldade, por exemplo, em falar com estranhos, e a fotografia, a câmara, permite-me um bocado quebrar essa barreira”, disse.
O jovem refletiu ainda sobre a democratização da fotografia através das redes sociais. Admitiu que é positiva, porque abre portas a mais pessoas, mas alertou para a saturação de imagens que pode banalizar o valor da fotografia.
“Eu acho que é sempre melhor termos mais trabalhos feitos sobre um tema do que termos menos. No que toca a banalizar, acho que nós neste momento, principalmente por causa das redes sociais, vemos tantas imagens por dia e vemos tanta coisa e é tanta informação que, se calhar, a fotografia por si perde o valor que tem”, constatou.

Neste momento, Diogo Sousa explora técnicas como o arrastamento e o uso do negativo como linguagem estética, adotando abordagens distintas em cada projeto.
Quanto às oportunidades no mercado de trabalho em Portugal, enquanto freelancer, considera que “depende sempre das áreas em que a pessoa está”.
“O fotojornalismo é complicado, mas eu acho que isso não é só em Portugal. É uma área em que existe muita competição”, reiterou, acrescentando que, na “fotografia social ou de eventos”, existem mais oportunidades, embora com alguma instabilidade financeira.
Para quem gostaria de começar na fotografia, Diogo Sousa defende que o importante é fotografar, seja com um telemóvel ou com uma máquina fotográfica.
“Eu acho que, se a pessoa gosta de fotografia e se não tiver nenhuma câmara, então que use o telemóvel. Se nós criarmos esse hábito de estarmos sempre a fotografar, depois essa paixão desenvolve-se mais”, disse.
Em suma, Diogo Sousa vê o ato de fotografar como uma forma de comunicar, interagir e descobrir o mundo.
“Eu olho para a fotografia como uma forma de explorar o mundo e procurar saber mais e também, de certa forma, me explorar um bocado a mim”, conclui.
