200 metros separam o aeroporto da Linha Rubi do futuro interface nas Devesas
João Nogueira
As obras da nova Linha Rubi do Metro do Porto continuam a transformar profundamente o tecido urbano de Vila Nova de Gaia e, a futura estação da Rotunda deverá ser uma das estações em que as mudanças geraram mais impacto. Há quem lhe chame mesmo “um aeroporto” dada a sua dimensão. A partir dali, os metros seguem para a futura estação das Devesas, a cerca de 200 metros, onde nascerá um novo interface com a Linha do Norte.
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Na estação das Devesas, a empreitada revela-se particularmente complexa dada a proximidade com as habitações. Ali será o principal interface da nova linha Rubi com a ferrovia nacional, localizando-se mesmo ao lado da estação da CP, que deverá manter-se em funcionamento.
No entanto, a construção da futura estação de metro obriga a uma escavação profunda, a rondar os 25 metros, num espaço extremamente confinado: de um lado, a linha do Norte; do outro, prédios de habitação cujas varandas ficaram, literalmente, a centímetros das máquinas escavadoras numa fase inicial da empreitada.
Naquele ponto, a obra encontra-se já no último nível da escavação da estação.

Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
Junto às vias ferroviárias iniciaram-se também os trabalhos preparatórios para a construção da passagem inferior que permitirá a ligação da Linha Rubi por baixo da linha férrea. Esta infraestrutura está a ser pré-fabricada no local e será empurrada para debaixo dos carris.

Foto: Futura estação de metro das Devesas
Impactos na Linha do Norte
O impacto destas intervenções já se faz sentir nos serviços ferroviários: desde 26 de julho, a circulação de comboios entre Porto-Campanhã e Aveiro encontra-se condicionada à noite e aos fins de semana, prevendo-se que estas limitações se mantenham até ao final do ano.

Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
Para minimizar os transtornos, o Metro do Porto está a garantir um transbordo rodoviário entre várias estações, desde Porto-São Bento até Aveiro.
Na envolvente, a Rua Barão do Corvo, um dos principais eixos viários das Devesas, estará condicionada ao trânsito até 2027, altura prevista para a conclusão da obra.
Rotunda na dimensão de um “aeroporto”
A cerca de 200 metros de distância das Devesas, na futura estação da Rotunda, os trabalhos concentram-se na construção da estrutura do parque de estacionamento subterrâneo, que terá dois pisos. Apenas após a conclusão desta etapa será possível iniciar a edificação da estação de metro, que ficará à superfície.

Foto: Futura estação da Rotunda
Esta será a última estação "à flor da terra" antes do traçado mergulhar em direção a Santo Ovídio, onde todas as restantes estações serão enterradas.
A obra da Rotunda, embora menos confinada do que a das Devesas, é das que mais impacto gerou à população que atravessa Gaia, com o condicionamento da VL8, por exemplo.

Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
Com a Linha Rubi, Gaia prepara-se para uma profunda transformação na sua mobilidade urbana. A integração com a linha do Norte nas Devesas e a criação de novos interfaces como a Rotunda prometem facilitar o acesso ao metro e reduzir a pressão sobre os atuais eixos rodoviários.
A ambição é grande: criar um eixo estruturante entre Casa da Música e Santo Ovídio, com novas opções de mobilidade para milhares de pessoas. Mas, até lá, as valas, as estacas e os desvios fazem parte do novo quotidiano de quem vive ou trabalha nestas zonas em transformação.
Estima-se que a Linha Rubi tenha um raio de influência direto que abrange um milhão de pessoas. Em relação a clientes, a rede de Metro ganha mais de 12 milhões utilizadores anuais (10 mil dos quais estudantes que, agora, terão um acesso mais facilitado ao Pólo Universitário do Campo Alegre e às faculdades de Arquitetura, de Ciências e de Letras).
