Movimento cívico concentra-se em Nelas para exigir reabertura da Linha da Beira Alta

Movimento cívico concentra-se em Nelas para exigir reabertura da Linha da Beira Alta
Foto: CM Coimbra
| Norte
Porto Canal/Agências

O Movimento Cívico pela Linha da Beira Alta, constituído por associações de três distritos, concentra-se no domingo em Nelas para exigir a reabertura daquela ferrovia, disse esta quinta-feira à agência Lusa a organização.

“Somos um movimento cívico, apartidário, que junta associações e cidadãos cansados de promessas vãs de que a Linha da Beira Alta, encerrada desde 2022 para requalificação, estaria fechada por nove meses”, justificou Joana Viveiro.

Entretanto, “já se passaram mais de três anos, deu-se uma saga de adiamentos de mais do que um governo, sendo que o último ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, repete o padrão, já que inicialmente era para o primeiro trimestre deste ano, depois adiou para julho e agora para setembro”.

Neste sentido, diversas associações de concelhos de três distritos – Guarda, Viseu e Coimbra, que trabalham “essencialmente questões de ambiente e sustentabilidade” começaram a debater “o problema do encerramento da linha” da Beira Alta.

O movimento cívico foi alargando a outras associações, também de desenvolvimento social e de cariz cultural, dos municípios por onde a linha ferroviária passa, além de associações nacionais, como a Quercus, para assinarem um manifesto que será entregue aos responsáveis políticos, designadamente ao Presidente da República.

O manifesto será lido na concentração (e para a qual apela à participação dos cidadãos) que terá lugar às 14h00 de domingo, no largo da Estação Ferroviária de Nelas (distrito de Viseu), ocasião em que serão assinalados os 143 anos da Linha da Beira Alta e será exigida “a sua reabertura o mais rápido possível”.

“São 40 meses de encerramento, ultrapassa até o tempo que demorou a construir a linha no século XIX. Estamos cansados destes adiamentos e do impacto que isto tem provocado não só na economia local, que teima em não fechar portas, como nos cidadãos que usam regularmente a linha”, afirmou.

Joana Viveiro disse que o comboio é o meio de transporte “mais usado por estudantes e população mais envelhecida, que vão frequentemente a consultas a Coimbra”, é uma linha “que liga o interior ao litoral e Portugal à Europa”.

“É também um instrumento de coesão social e territorial e é um direito de todos nós, principalmente um direito destas pessoas do Interior que tem cada vez menos gente e o transporte público é cada vez mais um bem necessário ao desenvolvimento da região”, defendeu.

A concentração será em Nelas porque “é uma das principais estações, assim como Mangualde, mas lá já abriu e em Nelas não”, embora considere que a linha reabrir por troços “é como atirar areia para os olhos das pessoas, porque ninguém vai de comboio aos bocados”.

A também presidente do Movimento Estrela Viva, com sede em Gouveia, disse ainda que a ideia é “que haja uma comunicação clara com as pessoas e um compromisso em termos de data que não seja para falhar novamente, com mais garantias políticas e que haja responsabilidade pelos danos causados ao longo destes anos”.

Para Joana Viveiro, a alternativa apresentada, autocarros, “não cumpre com as necessidades, além de não ser ambientalmente sustentável, não tem horários para quem vai a consultas a Coimbra, por exemplo, onde está um dos principais hospitais da região [Centro]”.

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