Ao fim de um mês ninguém quer dizer adeus ao barco que liga Porto e Gaia

Ao fim de um mês ninguém quer dizer adeus ao barco que liga Porto e Gaia
Foto: Inês Saldanha | Porto Canal
| Porto
Inês Saldanha

Foi há um mês que as margens do Cais do Ouro, no Porto, e da Afurada, em Vila Nova de Gaia, voltaram a estar unidas por ligação fluvial. Tanto turistas como moradores têm aderido às viagens de barco que fazem a travessia entre as duas cidades.

 
 
 
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Irene Duarte, residente em Matosinhos, era utilizadora habitual do transporte antes da sua suspensão em 2020 e não esconde a sua alegria face ao retorno do projeto.

“É muito bom [terem retomado] para a gente vir visitar a Afurada”, afirma a septuagenária, destacando ainda a vantagem de poder utilizar o Andante para a viagem.

Também Irene Duarte, residente em Gaia, considera o passe um "facilitador para as viagens", sublinhando que o preço do bilhete “não é muito caro”.

Para a gaiense, a ligação tem um impacto positivo na mobilidade da população da Afurada, considerando a carência de transporte público na zona.

Esta opinião é partilhada por Maria João, residente na Afurada, que recorda que antes da reabertura da travessia se sentia "abandonada, sem transportes públicos, lanchas e até sem o elevador da Ponte da Arrábida", cuja desativação em 2001 limitou ainda mais a acessibilidade.

"Foi muito bom retomarem a lancha novamente, e que seja para durar, porque é muito bom termos a travessia", sublinha.

António Silva, skipper da embarcação, confirma o elevado número de passageiros: "Há bastante adesão por parte da população. O barco anda, por norma, praticamente sempre cheio", explica.

O funcionário relatou ainda que a travessia matinal, que começa às 07h30, é aproveitada principalmente por trabalhadores e estudantes que se deslocam ao Porto, dando como exemplo um jovem que consegue “poupar uma hora e meia no seu trajeto diário graças à ligação fluvial”.

Mais de cinco mil passageiros

Marco Martins revelou ao Porto Canal que, segundo dados preliminares, a embarcação já transportou “mais de cinco mil passageiros”, o que equivale a uma taxa de ocupação “superior a 50%”.

Segundo o presidente da TMP, existe a possibilidade de ajustar horários de acordo com a procura registada desde o arranque da operação, referindo que a “avaliação global é positiva”.

Neste momento, as viagens têm a duração de cerca de sete minutos, sendo que o serviço arranca às 07h30, na Afurada, e realizam-se 13 viagens em cada sentido de segunda a quinta-feira, 15 viagens à sexta, 13 ao sábado e 11 ao domingo.

Projeto-piloto até outubro

O projeto-piloto, com um investimento de 160 mil euros, foi retomado a 27 de julho e terá uma duração de quatro meses, terminando em outubro deste ano. O objetivo é realizar “um estudo real da procura”, afirmou o presidente da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), Marco Martins, aquando da inauguração.

Apesar da satisfação geral, alguns passageiros expressam preocupações quanto à estrutura da embarcação em dias de mau tempo.

“No inverno precisamos de uma lancha melhor, mais tapada e mais confortável”, sugere Maria João como uma das medidas a adotar no serviço futuramente.

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