Rui Moreira: “Prefiro que os meus netos aprendam a sexualidade na escola, do que aprendam no Tik Tok”
Porto Canal
Rui Moreira defende que os temas da sexualidade da disciplina de Cidadania se devem manter. “Eu acho que é importante que os adolescentes percebam na escola aquilo que é a sexualidade”, afirmou o presidente da Câmara do Porto, na CNN.
O autarca entende que “haverá sempre excessos de um lado ou de outro, mas eu prefiro que os meus netos aprendam a sexualidade na escola, do que aprendam no Tik Tok”.
“Eu não quero, com todo o respeito pela plataforma Tik Tok, que os miúdos aprendam a sua sexualidade no Tik Tok. Prefiro correr o risco de ser na escola, em que têm o professor – que pode ser pior, ou melhor –, mas também têm os outros alunos presentes, que se for caso disso, poderão denunciar”, reforçou Moreira.
Nascido em 1956, Rui Moreira defende que os riscos podem ser maiores caso a educação sexual não seja lecionada nas escolas. “No meu tempo não se aprendia em lado nenhum. Aprendia-se em algumas famílias – como a nossa que era mais avançada –, mas eu via montes de miúdas com 12 ou 13 anos, que ficavam grávidas nessa altura e depois muitas vezes os pais, que eram contra o aborto, iam fazer abortos ilegais, porque não sabiam. Eu acho que as crianças perceberem o mundo em que vivem não tem grande problema. É evidente que há sempre um risco, mas tanto há através da afirmação, como do negacionismo. A vulnerabilidade dos jovens existe sempre”, frisa.
Consulta Pública
O novo guião da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento está em consulta pública desde esta segunda-feira, com menos atenção a temas como a sexualidade ou bem-estar animal e mais à literacia financeira ou ao empreendedorismo.
A nova Estratégia Nacional para a Educação para a Cidadania (ENEC) foi tornada pública e visa substituir a anterior, de 2017, bem como um guião - que não existia na versão anterior - das aprendizagens essenciais para a disciplina.
Esta medida cumpre uma promessa eleitoral do Governo e responde às críticas feitas pelos setores mais conservadores de que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento estava demasiado focada em temas que classificam como ideologia de género.
