Milhares enchem Aliados no Dia do Trabalhador para avisar que "Maio está na rua e que a luta continua"

Milhares enchem Aliados no Dia do Trabalhador para avisar que "Maio está na rua e que a luta continua"
| Porto
Porto Canal / Agências

Milhares de pessoas encheram esta quinta-feira a Avenida dos Aliados, no Porto, para avisar que “Maio está na rua e a luta continua”, numa tarde de “sol e luz” e com os mais velhos a continuarem a ser a maioria.

A festa estava marcada para as 15h00, mas os primeiros acordes de música entoaram na Avenida dos Aliados já passava das 15h15.

Com a Câmara Municipal do Porto como pano de fundo, milhares de pessoas começaram a dar corpo ao cortejo que ainda percorre as ruas da cidade. Cartazes, muitos cartazes, apelos a melhores salários, a melhores condições de trabalho, a mais habitação e ao pão.

Bandeiras, dezenas delas da Palestina, começaram-se a alinhar pela estrada.

Já no meio, na praça, insufláveis e bares improvisados compunham a festa: “O dia é nosso, trabalhadores”, lia-se.

“Já cá venho há 50 anos. Vim no 1.º de Maio de 1974, logo depois do 25 de Abril. Vínhamos a medo, não sabíamos bem ainda o que podia acontecer. Foi o primeiro dia em que realmente senti o cheiro da Liberdade”, disse à agência Lusa José Mendes, 74 anos, bandeira da CGTP na mão.

Para aquele orgulhoso trabalhador metalúrgico aposentado, “comunista de sangue e espinha dorsal”, o 1.º de Maio é “mais bonito do que o dia do aniversário”.

Porquê? “Com a sua idade, não sabe o que era antes [do 25 de Abril, tema que se mistura na conversa sobre o Dia do Trabalhador], mas trabalhávamos horas a fio, muitas vezes sem saber se íamos receber, e tínhamos que estar calados, em silêncio. Vivíamos amordaçados”.

E continuou: “Foi o primeiro dia, menina, o primeiro dia em que soubemos que o poder era do povo”.

Uns metros à frente, sentado na soleira de uma das lojas da Avenida, Maria dos Anjos, reformada de 69 anos, contou à Lusa que vai ao desfile “sempre que pode”.

“Gosto muito. É a festa do povo, dos trabalhadores. Aqui não há doutores nem engenheiros, é tudo povo. Hoje, a luta voltou a fazer todo o sentido. As novas gerações têm o futuro hipotecado pela precariedade, a falta de habitação, o trabalho em excesso”, disse.

Começaram os discursos. Foram dois: “É o que menos importa hoje, vamos mas é começar o desfile e aproveitar o sol e a luz, antes que volte a chuva”.

Pela praça e pela avenida, misturavam-se idades, mas, ainda assim, “os mais velhos são os que nunca falham”, continuam a ser a maioria.

“Os novos ainda não acordaram, preferem ir para a praia. Mas nós lutamos por eles, são os nossos filhos”, disse Maria dos Anjos, enquanto se levantava e preparava para a marcha.

O 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, teve origem nos acontecimentos de Chicago de há 139 anos, quando se realizou uma jornada de luta pela redução do horário de trabalho para as oito horas, que foi reprimida com violência pelas autoridades dos Estados Unidos da América que mataram dezenas de trabalhadores e condenaram à forca quatro dirigentes sindicais.

Há 51 anos, em Portugal, a celebração do 1.º de Maio, apenas uma semana após a revolução do 25 de abril, foi uma grande manifestação popular.

Por todo o país, centenas de milhares de pessoas saíram à rua mostrando a sua alegria e com exigências como 'direito à greve', 'fim da guerra já' ou 'regresso dos soldados'.

“Maio está na rua, a luta continua”, avisou-se pelas ruas do Porto.

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