Porto de Leixões reduz carga em 2024 e perde liderança do Noroeste Peninsular

Porto de Leixões reduz carga em 2024 e perde liderança do Noroeste Peninsular
| Norte
Porto Canal/ Agências

O porto de Leixões reduziu em 2% a carga movimentada entre 2023 e 2024, ao passar de 14,7 milhões de toneladas para 14,4 milhões, perdendo a liderança do Noroeste Peninsular para o porto da Corunha, na Galiza.

De acordo com os dados disponibilizados no 'site' da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), em 2024 o porto de Leixões movimentou 14.381.791 toneladas de mercadorias, menos 2% do que as 14.673.070 movimentadas em 2023.

Os números de 2024 representam ainda a perda de liderança do porto de Leixões no Noroeste Peninsular, uma vez que pela primeira vez desde que há registos disponíveis publicamente que permitem a comparação (desde 2015), o porto da Corunha, na Galiza, ultrapassou Leixões.

Em 2024, segundo dados da Puertos del Estado, o porto da Corunha movimentou 14.605.648 toneladas, um número superior em 5,2% aos 13.879.975 movimentados em 2023 e também superior ao de Leixões de 2024 (14.381.791 toneladas).

Ao longo dos últimos anos, Leixões tem vindo a registar uma diminuição da carga movimentada, algo marcado pela pandemia de covid-19 e pelo encerramento da refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira (também em Matosinhos, distrito do Porto).

Em 2019, ainda antes da pandemia de covid-19, o porto de Leixões movimentou 19,5 milhões de toneladas, número que se reduziu para 17 milhões em 2020, 15,1 milhões em 2021 (ano do encerramento da refinaria da Petrogal), 14,9 milhões em 2022, 14,7 milhões em 2023 e 14,4 em 2024.

Já o porto da Corunha tem vindo a crescer nos últimos anos, com 10,5 milhões de toneladas movimentadas em 2020, 11,8 milhões em 2021, 14,8 milhões em 2022, 13,9 em 2023 (a única descida pós-covid-19) e 14,6 milhões em 2024.

Em 2019, o porto da Corunha tinha movimentado 13,5 milhões de toneladas de mercadorias, valor que superou em 2022, algo que o porto de Leixões não logrou até agora.

Em ambos os casos os números não incluem pescado ou abastecimento, mas apenas carga contentorizada, fracionada, 'ro-ro' [carga e descarga de veículos com rodas], granéis sólidos e granéis líquidos.

Apesar da descida global, em 2024 o porto de Leixões registou um aumento de 4% na carga fracionada (1,39 milhões de toneladas para 1,44 milhões) e 2% na contentorizada (6,9 milhões de toneladas para 7,2 milhões).

Questionada pela Lusa, a APDL confirma que "a principal justificação para um menor nível de atividade do Porto de Leixões nos últimos anos tem a ver com o encerramento da Refinaria de Leça da Palmeira, levando a que o movimento de granéis líquidos se reduzisse de cerca de 8 milhões de toneladas, em 2019, para cerca de 2,5 milhões de toneladas, em 2024".

"Existem outros fatores que vêm influenciando este tipo de tráfego como por exemplo as crises geopolíticas internacionais e a maior eletrificação do modo rodoviário", acrescenta a administração portuária liderada por João Pedro Neves.

A APDL refere, no entanto, que há "outros tipos de carga que tem registado uma evolução positiva", como "a carga fracionada, associada principalmente à exportação de ferro e aço, e a carga contentorizada, que reflete a boa dinâmica da indústria do norte e centro de Portugal".

Questionada sobre se os números evidenciam a necessidade de expansão do porto, fonte oficial da APDL refere que Leixões "apresenta limitações, quer ao nível dos fundos dos terminais, dado que a profundidade não ultrapassa os -12 metros (ZHL [Zero Hidrográfico de Leixões]), como em relação aos terraplenos portuários, cuja área é manifestamente insuficiente, face ao movimento portuário atual, designadamente dos terminais de contentores".

"Por esse facto, a APDL procedeu à elaboração do Plano Estratégico do Porto de Leixões 2024-2035, que visa definir a estratégia de desenvolvimento do Porto de Leixões no horizonte 2035", que "será em breve apresentado publicamente, onde serão divulgados os respetivos investimentos e ações associados".

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