Câmara do Porto não dará “qualquer tostão que seja” à Diocese do Porto, garante Moreira
Ana Francisca Gomes
O presidente da Câmara Porto garantiu, esta segunda-feira, nunca mais votar favoravelmente qualquer proposta que chegue ao executivo municipal para ajudar monetariamente a Diocese do Porto. Rui Moreira falava a propósito da resposta do Bispo do Porto, Manuel Linda, a uma carta em que a autarquia questionava se a Igreja pretendia alienar mais património.
Em fevereiro foi tornado público o caso de 15 casas nas Eirinhas, freguesia do Bonfim, que eram propriedade da Diocese do Porto e que foram alvo de permuta, deixando os moradores a temerem serem despejados pelo novo senhorio, uma empresa de construção civil. O mesmo aconteceu com casas na zona de Miragaia, no Centro Histórico da Cidade.
“Tudo isto ocorre ao mesmo tempo que a Igreja Católica tem hoje receitas na cidade do Porto de monumentos que são do Estado - a Sé e os Clérigos. Mas ao mesmo tempo, quando é preciso arranjar a Igreja de São João da Foz ou a Igreja Matriz de Campanhã, os parcos vêm aqui bater à porta porque dizem que a Igreja Católica não tem dinheiro e então já há interesse patrimonial da cidade. Sei que estou de saída, mas devo dizer-vos já uma coisa: até que eu saia, não haverá nenhuma deliberação que eu traga aqui ou que vote favoravelmente no sentido de contribuir com qualquer tostão que seja para a Igreja Católica na medida em que eles deixaram de se comportar como aquilo que são para passarem a tratar-se como um agente privado que o município do Porto e o seu poder executivo não podem sequer questionar”, atirou Rui Moreira na reunião de executivo desta segunda-feira.
A discussão começou a propósito de um voto de protesto apresentado pela CDU, em que é pedido que a autarquia manifeste a sua “indignação” à Diocese do Porto pelas permutas realizadas no Bairro das Eirinhas “pondo em causa o direito à habitação dos seus moradores, sem antes ter comunicado à Câmara Municipal do Porto esta sua intenção”.
Moreira afirmou ainda que, após ter falado com algumas pessoas ligadas à Igreja, irá escrever uma carta sobre esta matéria ao Núncio Apostólico que é o responsável pela nomeação do Bispo do Porto. O líder do Executivo refere que a missiva a D. Ivo Scapolo irá dar nota “da nossa preocupação e de que a Igreja não se está a comportar como aquilo que é tradição na cidade do Porto”.
Após relembrar os vereadores sobre a sobre “a relação histórica complexa” entre a Diocese do Porto e a Câmara Municipal, o autarca lamentou que “esta matéria seja analisada pela Igreja Católica de uma forma economicista como se fosse um agente imobiliário” e revelou ter falado com o Padre Samuel. responsável pelas finanças da Diocese do Porto, e que ele lhe disse que as permutas eram feitas “exatamente para impedir [o exercício do] Direito de Preferência”.
