Anteprojeto do Centro de Artes e Espetáculos de Viseu apresentado quarta-feira

Porto Canal/ Agências
O anteprojeto do Centro de Artes e Espetáculos de Viseu (CAEVIS), que terá mais de 1.500 lugares, será conhecido quarta-feira, dando seguimento a um sonho antigo do presidente da autarquia, Fernando Ruas.
Em 2013, depois de ter estado 24 anos no poder, Fernando Ruas (PSD) apontou a construção do centro de artes como uma das obras que gostaria de ter feito antes de deixar a presidência da Câmara de Viseu.
“Não o fizemos apenas por respeito à conjuntura, porque fica na Câmara o projeto e o dinheiro”, disse, na altura, o autarca em entrevista à agência Lusa, lembrando a boa saúde financeira da autarquia, com um saldo orçamental para a gerência seguinte superior a 22 milhões de euros.
Almeida Henriques (PSD) sucedeu a Fernando Ruas e o seu executivo fez uma opção diferente, tendo, em agosto de 2020, aprovado o financiamento do Viseu Arena (que representava um investimento total de 6,4 milhões de euros), para que a cidade pudesse vir a ter a maior sala de espetáculos e recinto multiusos do centro do país. Teria uma capacidade superior a 5.500 espetadores e uma arena de 2.500 metros quadrados.
No entanto, com o regresso de Fernando Ruas à Câmara de Viseu nas últimas eleições autárquicas, a solução para resolver a lacuna de uma grande sala de espetáculos na cidade voltou a mudar. O executivo decidiu não transformar o pavilhão multiusos no Viseu Arena e optou por reapreciar o projeto já existente para o Centro de Artes e Espetáculos.
“A decisão que estamos a tomar neste momento é uma decisão política, pura e simplesmente. É não fazer o Viseu Arena e começar a preparar - o que já fizemos - todas as iniciativas para lançar o centro de artes” junto à rotunda cibernética, explicou Fernando Ruas, durante uma reunião pública do executivo, em janeiro de 2022.
Entre os argumentos para não avançar com o Viseu Arena, Fernando Ruas apontou que especialistas sempre disseram “que o pavilhão multiusos era de difícil insonorização”, a impossibilidade de o usar durante os dois meses e meio em que decorre a Feira de São Mateus e o facto de ter deixado na Câmara “o espaço e o projeto” para o Centro de Artes e Espetáculos.
A apresentação do anteprojeto do CAEVIS irá realizar-se no parque de estacionamento junto à rotunda da Fonte Cibernética, na Avenida da Europa, onde o equipamento cultural será construído, no mesmo dia em que ocorrerá também a celebração do auto de consignação da demolição do antigo edifício da PT, necessária para que a obra possa avançar.
No dia 27 de fevereiro, o executivo tinha aprovado o anteprojeto, com os votos contra da oposição, na sequência dos pareceres favoráveis do Departamento de Planeamento e de Apoio à Gestão Urbanística, dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Viseu, da Inspeção Geral de Atividades Culturais e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
“A obra neste momento está em posição de não retorno”, garantiu nesse dia Fernando Ruas aos jornalistas.
Os vereadores do PS votaram contra, com o argumento de que não receberam toda a informação exigida pela lei para um anteprojeto.
“Nós fomos ler a lei. Não há orçamento, não há peças desenhadas, só tem uma memória descritiva, umas imagens 3D e pareceres [favoráveis] da IGAC (Inspeção-Geral das Atividades Culturais), do SMAS (Serviços Municipalizados de Água e Saneamento) e da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”, justificou o vereador socialista João Azevedo.