Após protestos e queixas, estudo para passagens inferiores nas estações da Aguda e Granja deve avançar até junho

Porto Canal/ Agências
O novo concurso para o estudo de passagens de nível inferiores nas estações ferroviárias da Aguda e Granja, em Vila Nova de Gaia, será lançado “ainda este semestre”, disse esta segunda-feira fonte da Infraestruturas de Portugal (IP) à Lusa.
Sem precisar uma data para o novo lançamento, a IP relembrou que o anterior concurso, promovido no âmbito do projeto global e nacional de supressão e automatização de Passagens de Nível, que tem como objetivo a elaboração dos estudos e projetos para diversas intervenções no país, era composto por quatro lotes, tendo dois deles ficado desertos.
“Ainda neste semestre será promovido o lançamento de um novo concurso público, ajustando o procedimento de modo a assegurar a necessária resposta do mercado”, lê-se numa resposta a perguntas enviadas pela à Lusa.
Em causa está o lançamento de concursos para a realização de estudos para supressão de passagens de nível, os quais foram adjudicados à empresa Profico, nos lotes 1 e 2 (supressão de quatro passagens de nível nas linhas do Minho, Beira Baixa e Beira Alta), mas não no lote das passagens de Aguda e Granja.
A IP acrescenta que, “aquando da abertura das propostas, verificou-se a não existência de propostas para os lotes 3 e 4, sendo que a elaboração dos estudos de viabilidade para a construção das Passagens Inferiores Pedonais junto à Estação da Granja e ao Apeadeiro da Aguda, integrava o lote 4”.
Este é um tema que já gerou várias ações de protesto junto às estações visadas em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, da Linha Ferroviária do Norte.
Na sequência de um protocolo de 2022 celebrado após protestos das populações contra as passagens superiores instaladas, em que as estruturas foram apelidadas de "mamarracho", "escarro arquitetónico" ou "muro de Berlim" pela população, a IP pôs a concurso estudo para as passagens inferiores por 50 mil euros.
Paralelamente, os elevadores ali instalados têm sofrido avarias e a população local tem vindo a público com queixas sobre dificuldades na mobilidade.
Numa nota enviada à Lusa no dia 21, o movimento Cidadãos Praia da Granja falava em “problema grave que afeta diariamente os utilizadores da estação da Granja”, apontando que “o elevador encontra-se avariado há mais de um mês, comprometendo seriamente a acessibilidade dos passageiros e a mobilidade de quem necessita de atravessar a estação sem conseguir recorrer às escadas existentes”.
“Desde a instalação dos elevadores, têm ocorrido avarias esporádicas, contudo esta situação ultrapassa todos os limites. A ausência de uma solução célere demonstra um preocupante desinteresse da IP, deixando-nos numa posição de abandono”, considera o movimento.
Em resposta à Lusa, a IP referiu que não é correta a informação que o elevador está “há mais de um mês” avariado e salienta que “a esmagadora maioria das situações de inoperacionalidade dos elevadores resultam dos frequentes atos de vandalismo ou furto”.
“A IP procura atuar rapidamente no sentido de repor ao serviço os equipamentos, que, realce-se, destinam-se principalmente a garantir condições de acesso a pessoas com mobilidade reduzida. No entanto, por vezes, devido à extensão dos danos, e pela demora na entrega de materiais específicos necessários à reparação, a intervenção é mais demorada”, justificou a empresa.
E acrescentou: “Como exemplo da frequência das situações e da rápida intervenção das equipas de manutenção, no dia 23 de março, após a identificação da avaria, foi acionada e realizada a reparação e, nesse mesmo dia, foi reposto em funcionamento o elevador”.
As obras na Linha do Norte entre Espinho e Vila Nova de Gaia, orçadas inicialmente em 55 milhões de euros, podem ficar cerca de 20 milhões de euros mais caras que o inicialmente previsto, segundo as revisões contratuais feitas.