Ossadas de século XVI encontradas em Massarelos durante obra da nova ponte sobre o Douro

João Nogueira
No Grande Porto, as obras do metro já trouxeram à luz do dia mais de 300 mil achados arqueológicos. Em fevereiro, durante as escavações da empreitada da nova ponte sobre o rio Douro, foram desenterradas ossadas de cerca de 30 corpos numa parcela que outrora serviu como necrópole de uma igreja na escarpa de Massarelos. Em Gaia foi descoberto um forno de uma antiga fábrica de cerâmica.
Entre as margens do Porto e Gaia, começam a aparecer as primeiras estruturas da ponte Ferreirinha, que vai voltar a ligar as cidades novamente e servir a nova Linha Rubi do Metro do Porto.
Em Massarelos, na margem portuense, os trabalhos de escavação no início de fevereiro descobriram ossadas em alto estado de conservação de cerca de 30 corpos que foram enterrados numa área que outrora serviu como necrópole da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem.
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O terreno, situado perto da antiga capela e atualmente junto à Rua da Boa Viagem, foi identificado como parte de um ossário que remonta ao século XVI.
A necrópole esteve em funcionamento durante vários séculos, funcionando como cemitério paroquial da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, situada também naquela escarpa.
Contudo, o espaço foi desativado no século XIX, menciona um documento sobre a carta de património arqueológico do PDM do Porto. Muitos dos corpos ali enterrados foram exumados e removidos devido ao estado de deterioração da igreja, que ameaçava ruína.
Foto: Metro do Porto
Além disto, aquele espaço terá contexto histórico e relação com o Cerco do Porto (1832-1833), um dos marcos da Guerra Civil Portuguesa.
Apesar da relevância e estado de conservação dos achados, fonte da Metro do Porto garantiu que as descobertas não comprometerão o cronograma da construção da nova ponte.
Metro desenterra história da cidade
A arqueologia e a construção de novas linhas de metro na cidade andam de mãos dadas e a descoberta de achados arqueológicos é frequente nas frentes de obra da Metro do Porto. Ao longo dos últimos anos, foram descobertos vestígios, alguns deles hoje expostos à comunidade, como, por exemplo, as ruínas da Arca de Mijavelhas, situadas na atual estação do Campo 24 de Agosto.
Fonte da Natividade
Foto: Metro do Porto
Na Avenida dos Aliados, durante as escavações da Linha Rosa em 2022, foi descoberta a Fonte da Natividade que impressionou pelo alto estado de conservação.
Em 1682 a fonte foi ampliada e passou a ter o nome de Fonte da Natividade, tendo em cima da mesma sido montada uma capela em honra da Nossa Senhora da Natividade. No entanto, a capela foi destruída em 1821 e alguns anos depois, para alargar a praça dos Aliados, parte da fonte acabaria demolida.
Depois de um impasse do local onde será exposta, fonte da Metro do Porto avançou que a relíquia deverá manter-se na Avenida dos Aliados.
Ponte Medieval do século XIII
Foto: Metro do Porto
Também no âmbito da empreitada da Linha Rosa, durante a obra do desvio do rio da Vila, foi encontrada uma ponte medieval, tal como avançou em exclusivo o Porto Canal. A travessia “servia de ligação e de acesso ao Porto e que não estava previsto ter resistido durante a expansão da cidade”.
A ponte foi descoberta enquanto as equipas trabalhavam no desvio do rio da Vila, a jusante, no cruzamento entre a Rua de Mouzinho da Silveira, Rua de São João e Largo de São Domingos e tem cerca de dois metros de largura e um comprimento de cinco metros.
Forno de antiga fábrica de cerâmica em Gaia
Foto: Empatia Arqueologia
Também durante a empreitada da Linha Rubi, na margem de Vila Nova de Gaia, foi desenterrado um antigo forno da fábrica de cerâmica do Cavaquinho.
A fábrica terá começado por se dedicar ao fabrico de faiança, mas grande parte da sua produção passou pelo fabrico de louça de pó e de pedra, tendo funcionada até ao século XIX.
O forno encontrado agora é mais um achado arqueológico que complementa os trabalhos realizados em 2011, quando a empresa Empatia já havia revelado vestígios dessa antiga fábrica.
Desde o primeiro projeto da rede, no arranque dos anos 2000, os trabalhos arqueológicos realizados durante as obras do Metro do Porto já revelaram mais de 380 mil peças históricas, cada uma contribuindo para revisitar a história que marca o desenvolvimento da cidade.
Escarpa de Massarelos e futura ponte sobre o rio Douro, a Ferreirinha
Foto: NOARQ