Menezes reafirma que atual presidente de Gaia interferiu no licenciamento do seu terreno

Porto Canal/ Agências
O antigo presidente da Câmara de Gaia Luís Filipe Menezes reafirmou esta quinta-feira em tribunal, tal como o fez no Facebook em 2023, que o atual autarca, Eduardo Vítor Rodrigues, interferiu num processo de licenciamento de um terreno seu.
“Tudo o que está aí escrito é verdade”, afirmou Luís Filipe Menezes perante a juíza do Tribunal de Vila Nova de Gaia onde esta quinta-feira começou a ser julgado por difamar o atual presidente de câmara e ofender a autarquia, do distrito do Porto, numa publicação no Facebook.
Na origem do caso está uma publicação do antigo autarca de Gaia na rede social Facebook feita em outubro de 2023, em que Luís Filipe Menezes (PSD) acusou Eduardo Vítor Rodrigues (PS) de ter interferido num processo de licenciamento de um terreno seu.
Na publicação, Luís Filipe Menezes culpou Eduardo Vítor Rodrigues de ser o “mandante” de “criminosas cambalhotas”, como a alteração de pareceres técnicos para o prejudicar, e anunciou que tinha entregado o caso às autoridades.
Durante o seu depoimento, Menezes assumiu que quando escreveu aquela publicação estava zangado, mas mesmo que não o estivesse a escreveria na mesma porque um cidadão de direito “não pode nem deve estar sujeito a isto”, referindo-se a todo o processo que envolveu o licenciamento do seu terreno onde pretendia construir uma casa que acabou por não construir.
“Isto é bandidagem, não tenho outro termo, e é o que acho”, atirou.
Além disso, Menezes vincou que em 20 anos de medicina, 30 de cargos políticos e 10 de atividade empresarial nunca foi arguido, acusado ou condenado, ao contrário do atual líder do executivo municipal.
“Nunca tive vereadores, nem diretores arguidos, já esta câmara tem paletes de arguidos em funções”, referiu.
O social-democrata destacou que o departamento do urbanismo do município tem no seu currículo o processo Babel, um vice-presidente e vereador em prisão preventiva e uma diretora arguida, logo “não é um urbanismo que se possa elogiar”.
“O urbanismo de Gaia é muito tristemente conhecido no país como uma grande barafunda”, sublinhou.
Luís Filipe Menezes lembrou que também apresentou uma queixa-crime por difamação contra Eduardo Vítor Rodrigues, queixa essa que espera que venha “a aparecer de alguma catacumba”.
Já à saída, e em declarações aos jornalistas, Menezes ressalvou que Eduardo Vítor Rodrigues já nem devia estar em funções depois de ter sido condenado a perda de mandato por peculato de uso.
Por seu lado, o atual presidente da Câmara de Gaia considerou, igualmente aos jornalistas, que aquilo que o seu antecessor escreveu no Facebook é de “uma violência atroz, completamente falso, lamentável, miserável e vergonhoso”.
Apelidando Menezes de “mentiroso”, Eduardo Vítor Rodrigues entendeu que aquilo que o ex-autarca queria aquando do licenciamento do terreno era ter um tratamento de excelência.
“Mas nós não fazemos tratamento de exceção a ex-presidentes”, atirou.
Eduardo Vítor Rodrigues esclareceu que o processo em que foi condenado a perda de mandato está em fase de recurso, acrescentando que quando herdou a câmara também herdou processos e dívidas deixadas por Menezes que teve de ser ele a resolver e pagar.