Retorno da ligação aérea Bragança-Portimão: “Uma grande oportunidade para quem nunca pensaria em vir a Trás-os-Montes”

Retorno da ligação aérea Bragança-Portimão: “Uma grande oportunidade para quem nunca pensaria em vir a Trás-os-Montes”
| Norte
Porto Canal

Após mais de quatro meses de interrupção devido a atrasos no concurso para a concessão da linha, a ligação aérea Bragança-Portimão foi retomada há uma semana, trazendo alívio para os passageiros que dependem daquele serviço. A equipa do Porto Canal embarcou num voo da Sevenair para fazer um balanço do impacto do regresso da linha, que promete encurtar as distâncias e facilitar as longas viagens entre os extremos norte e sul do país.

 
 
 
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Era ainda cedo quando o avião da Sevenair, vindo de Bragança, aterrava no aeródromo de Vila Real. A bordo, cinco passageiros estavam já prontos para partir, e mais quatro se juntaram à viagem. A retoma do serviço aéreo, após uma longa paragem, tem sido muito aguardada por quem fazia desta ligação uma rotina de viagens rápidas, poupando tempo nas suas deslocações.

Paulo Fidalgo, um dos passageiros regulares, contou ao Porto Canal que, durante o período de interrupção, foi forçado a recorrer ao automóvel. No entanto, sublinhou a enorme utilidade de poder voltar a usar aquele serviço, uma vez que a viagem de Lisboa a Vila Real, por via aérea, dura cerca de uma hora, contra as quatro ou mais horas de carro.

"Estava preocupado e, claro, chateado. Estamos sempre habituados a essas desilusões com infraestruturas ou serviços, especialmente quando se trata de Trás-os-Montes, onde as coisas muitas vezes são interrompidas", declarou o passageiro, que se manifestou contente com o facto de poder sair na sexta-feira à tarde após uma semana de trabalho e chegar a Vila Real em poucas horas: “É muito interessante e útil".

Ligação aérea com avanços e recuos

A ligação aérea Bragança-Lisboa foi inaugurada em 1997, quando o então primeiro-ministro António Guterres anunciou que Bragança ficaria a apenas uma hora de Lisboa.
Esta medida visava atenuar o isolamento da região e melhorar a mobilidade dos habitantes. Contudo, ao longo dos anos, a carreira sofreu várias interrupções, sendo que a última delas, que resultou num intervalo de mais de quatro meses, estava ligada a problemas no concurso público para a concessão da linha.

Pedro Leal, presidente do Grupo Sevenair, fez um balanço das dificuldades enfrentadas pela empresa durante este período de interrupção: "Foi muito complicado. Mantivemos o nosso pessoal a ser pago, muitos entraram em lay-off, outros foram embora. Perdemos mecânicos, pilotos, copilotas, pessoal do handling. Foram quatro meses e meio muito difíceis", explicou.

O retorno da ligação aérea não é apenas uma boa notícia para os passageiros que podem agora poupar tempo nas suas viagens, mas também para o desenvolvimento da região.
Paulo Fidalgo destacou que a retoma do serviço representa uma "vantagem competitiva" para a região de Trás-os-Montes, especialmente para as pessoas que, com a ligação aérea, podem agora viajar de Lisboa para o norte do país em apenas uma hora.

“É um ganho em termos de tempo e produtividade, e também uma grande oportunidade para quem nunca pensaria em vir a Trás-os-Montes, caso tivesse de fazer uma viagem de 5 horas de automóvel”, afirmou.

Com a garantia de que a ligação entre Bragança e Portimão estará assegurada pelos próximos quatro anos, o futuro parece promissor para quem depende daquele serviço.
Serão 2400 horas de voo por ano, distribuídas por 4992 viagens que ajudarão a encurtar a distância entre os dois extremos do país.

 

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